Um levantamento feito pela Anistia Internacional, ouvindo 21 mil pessoas de todos os continentes, comprovou que o Brasil é o país onde as pessoas mais temem tortura. No Brasil, 80% das pessoas (praticamente o dobro da média mundial que é 44%), temem ser vítimas de tortura em caso de detenção pelas forças policiais.

A prática da tortura no Brasil não foi enterrada com a ditadura militar, ela ainda persiste. A policia militarizada, criada por decreto em 1969 para defender os interesses das elites, insiste em praticar esse tipo de crime hediondo como se fosse uma forma normal de agir. É nas periferias que a PM mostra seu lado mais brutal. Ela é quem dita as leis e aplica sua própria sentença de morte contra jovens de pele escura. A polícia trata a juventude da periferia com base numa ideia de que todo preto/pobre/favelado é bandido, por isso ele pode ser torturado (na rua ou nos porões de delegacias), ou pode ser assassinado, pois nada acontecerá depois.

Impunidade incentiva crimes bárbaros feito por PMs

Apesar do aumento de 129% nas denúncias de violência feitas pelas mãos das polícias nos últimos 3 anos, esse número é ínfimo comparado aos casos que não são denunciados. A população pobre teme represálias e têm total certeza de que a denuncia não garante a punição do bandido fardado.

As centenas de crimes cometidos pelos agentes do estado no período da Ditadura Militar que permanecem ajudam a manter intactas a estrutura atual que favorece a PM atual a continuar agindo da mesma forma. Casos de assassinatos como o de Amarildo, Claudia Silva Ferreira e Douglas são mais comuns do que se possa imaginar. Outros casos mais emblemáticos como as chacinas da Candelária, Carandiru e Eldorado dos Carajás, permanecem impunes ou foram julgadas com muito atraso e/ou em geral com punições leves. Desde a escola preparatória da polícia, os soldados são condicionados a massacrar a população pobre. A justiça militar é o que gera a impunidade, acobertando e incentivando policiais a abusar da autoridade, torturar e matar com requinte de crueldade.

Desmilitarizar é preciso!


Desmilitarizar a PM
não significa acabar com a polícia. Na prática, a desmilitarização é acabar com a lógica de treinar soldados para uma guerra (onde o povo pobre, principalmente negro) são os inimigos que precisam ser exterminados. A PM brasileira é a que mais mata no mundo, isso explica porque 70,1% dos brasileiros afirmam não confiar na polícia.

Atirar primeiro e perguntar depois é o modus operandi da atual polícia que deveria seguir o exemplo algumas outras polícias do mundo, onde o treinamento propõe abordar o cidadão, fazer a devida averiguação, liberá-lo ou enviar para outra instância caso ele tenha cometido algum crime.

É precisos varrer os entulhos da Ditadura Militar desmilitarizando a PM e punindo os assassinos e torturadores para que os crimes que eles cometeram não se repitam. A desmilitarização não acabará com a defesa do estado burguês no seio do capitalismo, disso nós sabemos. Entretanto, a desmilitarização é uma questão democrática que vai limitar as arbitrariedades cometidas por policiais, podendo criar uma nova polícia que trate a população com o devido respeito, dignidade e acima de tudo detentora de direitos que precisam ser preservados.

80% dos brasileiros temem ser torturados pela Polícia