Pesquisa recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) afirma que o desemprego atinge 12,3% dos brasileiros, número este, correspondente ao total de 13 milhões de desempregados no país. Segundo o mesmo IBGE, o número de subutilizados – aqueles que desistiram de procurar emprego – atingiu número recorde desde 2012. O aumento dos trabalhadores no mercado informal também apresentou crescimento recorde, no primeiro trimestre de 2018. Na juventude, o número de desempregados é mais alarmante, chegando a 40% da força de trabalho jovem no país. Tais números, que comprovam a piora das condições de vida, ligam-se ao resultado do aumento da violência e dos homicídios, principalmente, entre os jovens pobres e negros.

O Atlas da Violência de 2019 confirma a situação, deplorável, do aumento dos homicídios do país. Uma afirmação assustadora que liga o alerta sobre o futuro do nosso país, consequentemente, de nossa juventude.

O aumento dos homicídios e o genocídio da juventude pela Polícia Militar

O número mais alarmante apresentado pela pesquisa, é o grande aumento da taxa de homicídios entre jovens. Hoje um jovem brasileiro entre 15 a 29 anos de idade, tem grande chance de ser assassinado. Esta faixa etária foi responsável por 47,8% do total de óbitos de 2015. Se reduzirmos a margem de idade de 15 a 29, para 15 a 19, a porcentagem aumenta, chegando a 53,8% dos óbitos do país. Em 2015, por exemplo, foram 35.783 homicídios entre jovens, esse número representa uma média de 69,9 homicídios a cada 100 mil jovens no país, taxa recorde nos últimos 10 anos. 51,8% destes homicídios, correspondem a faixa de 15 a 29 anos. Este desenvolvimento acontece de forma diferente entre os estados brasileiros, tendo norte e o nordeste como as duas principais regiões quando o assunto é homicídio de jovens. Estados como Rio Grande do Norte (152,3), Ceará (140,2) e Pernambuco (133,0) tem as três maiores taxas de homicídio entre jovens. Segundo o Atlas 2019, entre o ano de 2016 e 2017, o Brasil teve um aumento de 6,7% da taxa de homicídio de jovens. ¹

Voltando alguns anos, observando o Atlas de 2017, as polícias, tanto militar quanto civil, são grandes responsáveis pelas mortes que ocorreram no país, somando um total de 3.320 em ocorrências policiais registradas. Este número, afima o Atlas, encontra mudanças ao comparar com dados – não oficiais – ou seja, os dados que não são registrados pela própria polícia, podendo assim, aumentarem. 358 policiais – de ambas as polícias – encontram-se nas estatísticas de homicídios do país. Ao comparar o número o número de mortes decorrentes de intervenção polícias, com as mortes decorrentes de latrocínio – roubo seguido de morte – a morte por violência policial é superior a de latrocínio². De 2014 a 2015, a Polícia Militar do Rio de Janeiro foi responsável por 1.229 mortes em um universo total de 6.466. Já em 2019, sob governo Witzel, apenas no primeiro trimestre do ano, os números de morte em decorrência de ação policial, bateram recordes com os maiores índices dos últimos 20 anos. Só nos primeiros três meses de governo, a polícia do Rio matou o total de 434 pessoas segundo dados do ISP – Instituto de Segurança Pública do Rio. Entre os casos mais emblemáticos do governo Witzel, está a chacina do Fallet, morro que fica em Santa Tereza, com 13 mortos executados pela polícia. O caso marcou a cidade pela violência e truculência, onde especialistas afirmam desproporção do uso de violência policial com total aval do governador do estado que, em diversas declarações, defende a política de genocídio e o uso de violência policial. No mês de agosto, em 80hrs, a polícia do Rio de Janeiro matou 5 jovens!  Os dados alarmantes demonstram que o número de execuções é crescente na polícia civil e militar.

O maior número de mortes são de homens jovens.

94,4% dos homicídios no Brasil acontecem com a população masculina. Enquanto em 2015  a taxa de homicídios era de 60,9 a cada 100 mil, o mesmo indicador para homens jovens chegava a marca assustadora de 113,6 a cada 100 mil (Atlas 2017)  o número vem em um crescente atingindo  a marca de 130,4 a cada 100 mil (Atlas 2019). Dos 35.783 dos jovens assassinados em 2017, 33.772 são do sexo masculino. 

Em 2015, a PM-RJ fuzilou o carro com 5 jovens dentro

As difíceis condições de vida em que o país se encontra, com desemprego galopante, restrições de condições materiais básicas à sobrevivência, leva a juventude a se aproximar, cada vez mais, de uma vida de violência e criminalidade. É uma matemática perversa que coloca em questão o futuro da juventude brasileira, mais carente, encontra-se, tendo como expressão real de suas vidas, dois caminhos: prisão ou a morte. Nos últimos anos, o estado do Rio Grande do Norte, por exemplo, teve um aumento de homicídio de jovens. O aumento da morte prematura dos jovens é um fenômeno crescente no Brasil desde a década de 80. As mortes de 15 a 19 anos representam 51,8%  da morte dos jovens em 2017, seguido pela faixa etária de 20 a 24 (49,9%) e 25 a 29 (38,6%). Tais dados representam, segundo o Atlas 2019, o homicídio, como a principal causa da morte entre jovens.

As mortes têm classe social e cor

Os homicídios no Brasil são marcados, principalmente, pela classe social a qual o indivíduo pertence e com a cor da sua pele. Quanto mais pobre, maior chance de ser assassinado. Segundo Atlas da Violência de 2019, 75,5% das vítimas foram de negros, a cada 100 mil negros o número de homicídio chega a 43,1, ao passo que, os não negros, chegou a taxa de 16,0. Entre 2007 e 2017, segundo o Atlas, a piora da letalidade racial cresceu, chegando a 33,1%. O Atlas da violência de 2017 afirmava que um cidadão negro tinha 23,5%³ de chances de ser assassinado ao se comparar com cidadãos que detenham a cor da pele branca. A maior parte, destes terríveis  números, é composta por jovens negros que percebem, que as probabilidades de futuro são nebulosas e inseguras. Ao calcular a probabilidade de cada cidadão sofrer homicídio, o estudo revela que, dentro desta probabilidade, os negros respondem pelo total de 78,9% dos indivíduos pertencentes ao grupo de 10% com mais chances de serem vítimas fatais (Atlas 2017). O Atlas de 2019 reafirma que, é perceptível a continuidade de um grande abismo social entre raças no país.

O que estamos vendo no Brasil, principalmente desde 2016, é uma aceleração da degradação das condições de vida do povo brasileiro. O golpe, orquestrado por todas nossas instituições políticas, é conivente com o caminho à barbárie que vemos a população caminhando. Direitos trabalhistas cortados, tentativa de destruir nosso direito de aposentar, ataques severos às organizações políticas, prisões sem provas – como a que vimos de Lula, para que não fosse candidato às eleições, mesmo sendo o que mais tinha intenção de voto do povo –, destruição da Petrobrás e ataques à nossa soberania. Todos estes ataques, sob os olhos e com aval, principalmente, do Poder Judiciário, demonstram o quão conivente as instituições políticas nacionais são com interesses dos patrões e não os interesses do povo.

Hoje, em primeiro lugar, o povo quer direitos, quer emprego, quer saúde e poder sobreviver. Não quer, de forma alguma, ver sua juventude sendo exterminada, seja pelo crime organizado, seja pelo Estado; quer poder olhar para frente e sentir que pode construir um futuro, que pode sonhar e, conquistar seus objetivos. É urgente combatermos esta política de genocídio e encarceramento dos jovens, principalmente, dos jovens negros, e, para isso precisamos, em primeiro lugar, do combate em defesa da desmilitarização da polícia – resquício da ditadura militar ainda vivo em nossos dias –, retomada da geração de empregos, investimento na educação, defesa de nossos direitos e soberania todas essas demandas são impossíveis dentro de um governo vende pátria como o de Bolsonaro, o que colocada a necessidade, urgente, de pôr fim ao governo de Bolsonaro e governos como de Wilson Witzel que enxergam o povo como seu principal inimigo.

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¹ Os dados apresentados trazem números do Atlas de 2017 e 2019
² O número registrado de mortes por latrocínio no Brasil é de 2.314 segundo o 10º Anuário Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
³ Neste percentual o Atlas já desconta o efeito idade, sexo, escolaridade, estado civil, bairro e residência – ou seja, neste percentual um jovem negro, homem, com baixa escolaridade – em sua maioria solteiro – morador de bairro de periferia e que mora em “barracos”, por exemplo, tem tais chances de ser assassinado no Brasil.

Vladmir

A juventude quer viver! Fim ao genocídio da juventude negra!

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