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No dia 29 de novembro, cerca de 20 mil pessoas se concentraram em Brasília para protestar contra a PEC 55. A grande maioria era de estudantes, universitários e secundaristas vindos de diversas ocupações, escolas e universidades do país. Havia ainda sindicatos como a CUT, Andes, Fasubra e outros.
O ato foi encerrado pela brutal repressão da polícia militar. Enquanto a PM massacrava os manifestantes do lado de fora, no interior do congresso os senadores se preparavam para o massacre do povo por 20 anos, através do congelamento das verbas em saúde, educação e outras áreas sociais, para desviar recursos para o pagamento de juros da dívida pública.
Apesar da presença das entidades, o ato não tinha uma verdadeira direção. Não havia uma faixa unitária, por exemplo, abrindo a manifestação, nem comissão de segurança das entidades para proteger os manifestantes. Um prato cheio para a ação de provocadores infiltrados facilitarem o trabalho da repressão. No carro de som, apenas agitação nenhuma fala das entidades presentes.
Na porta do congresso os manifestantes encontraram a PM do DF fazendo um cordão de proteção ao congresso. A situação era de evidente tensão. Provocadores infiltrados, inclusive com camiseta “pró Bolsonaro” foram vistos arremessando objetos em direção à polícia. Em menos de 10 minutos a PM reagiu à aproximação de uma jovem, agredindo-a fisicamente e com gás de pimenta.
Em resposta manifestantes, entre os quais alguns Black blocs e outros ao redor, viraram um carro na frente da polícia, que aproveitou para fazer o que pretendia desde inicio: atacar de modo violento e brutal a massa que exigia que o Senado rejeitasse a PEC 55.
Com extensivo apoio aéreo de pelo menos 4 helicopteros, com a ação da cavalaria e muito gás lacrimogênio a PM tentou desbaratar a manifestação completamente. Enquanto os manifestantes retornavam ao local de concentração do ato – o museu nacional – black blocs continuavam o confronto com a Polícia.
Como pudemos ver em vídeo posteriormente no diálogo do deputado Paulo Pimenta do PT – que tentava interceder contra a repressão – com os policiais a ordem era “atacar”. O quebra-quebra causado pela reação dos black blocs serviria como justificativa perante a opinião pública depois.
A polícia estendeu a repressão até a rodoviária de Brasília, onde muitos trabalhadores que nada tinham a ver com a manifestação sofreram os efeitos do gás lacrimogênio. Enquanto nos retirávamos, presenciamos infiltrados, provavelmente contratados das empresas de ônibus, que nada tinham a ver com a manifestação cobrirem o rosto e quebrarem vidraças dos ônibus, tudo para aumentar a ideia de “vandalismo” repercutida pela grande imprensa.
O que se viu foi mais uma expressão do estado de exceção em construção desde o golpe de estado no país, na esteira de detenções ilegais e desocupações sem mandado judicial.
O resultado da votação no Senado já era esperado. É para votações deste tipo, aliás que as instituições – governo, congresso e judiciário – sustentam o golpe de Estado. Daí a necessidade de ampliarmos a mobilização nas escolas e faculdades e em unidade com os trabalhadores, buscar abrir uma saída, que começa imediatamente pela defesa de Nenhum Direito a Menos, Fora Temer, e que se complementa com a luta por uma Constituinte soberana, pra varrer as instituições golpistas de cena, questão que devemos explicar aos nossos colegas.
O desenlace do ato levantou (ou retomou) questões importantes de caráter prático para as próximas manifestações. A quem serve a organização de manifestações “horizontais” e do quebra quebra que nos deixam a mercê de infiltrados da direita?
Colocar essas questões, exige responde-las. Para nós a única maneira de suplantar a repressão policial é ampliando o caráter de massa do movimento, para tornar a repressão insuportável politicamente. A única forma de se defender da repressão policial é coletivamente, não é pelo caos, mas pela organização, o que exige construir através das entidades estudantis um comando ou coordenação, que possa se preocupar com a mobilização, mas também com a condução política do ato, estabelecer comissão de segurança, evitar a ação de infiltrados e provocadores etc. A 20 dias atrás, na reunião nacional que organizou a manifestação, a JR levantou uma proposta neste sentido. A direção da UNE, entretanto, recusou.
A luta agora deve continuar. A Juventude Revolução se fez presente dia 29 agrupando cerca de 300 militantes de vários estados, carregando uma faixa “Fora Temer, nenhum direito à Menos” e outra levantando a luta pela retirada da reforma do ensino médio, uma das pautas que tem mobilizado os estudantes.
Apesar de toda a situação, pouco antes da repressão alcançar a biblioteca nacional, onde os militantes da JR de todo o país se reagrupavam, pudemos conversar rapidamente e chegar a uma conclusão: a repressão não nos fará desistir, é preciso prosseguir a luta.
Vamos precisar somar esforços nas escolas e faculdades e procurar construir a unidade com os trabalhadores e suas organizações. Vamos demonstrar a vontade de resistência da juventude, desta vez com manifestações nas cidades no dia da votação em segundo turno.
Não existe vitória possível que contorne a necessidade de mobilização das massas.
Por isso mesmo precisamos reforçar nossa própria organização. Convidamos cada jovem que esteve conosco em Brasília ou nas lutas contra a PEC 55 e pela retirada da reforma, na luta contra o golpe, pelo Fora Temer, e que ainda não se filiou a JR, a conhecer a Juventude Revolução! Participe das próximas reuniões e manifestações. Organize-se! Lute conosco!

Abaixo a repressão! Fora Temer, nenhum direito a menos! A luta continua!
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