A greve dos estudantes de Quebec entrou, na quarta 23 de maio, em seu centésimo dia, com uma manifestação nas ruas de Montreal**, acrescentando à reivindicação de anulação do aumento das taxas de matrícula nas universidades, a de retirada da chamada “Lei Cassetete”, promulgada há alguns dias pelo governo.

Esta lei ataca brutalmente o direito de greve e de manifestação, suspende os cursos até o mês de agosto nas universidades e colégios atingidos pela greve, uma forma de quebrar um movimento que dura mais de três meses.

Esta lei de exceção causou protestos imediatos, para além dos estudantes diretamente visados por ela.

Desde sua adoção, a lei tem sido aplicada em Montreal. Em Sherbrooke, a 130km a leste da cidade, trinta e seis manifestantes, na maioria manifestantes, foram as primeiras pessoas presas em virtude da nova lei.

“Não se manifesta mais somente contra o aumento das taxas escolares. Se manifesta pelo direito de se manifestar”, estimou na quarta o diário quebequense La Presse, favorável ao aumento das taxas. Em Montreal, foi um verdadeiro mar de gente de dezenas de milhares de pessoas, jovens, adultos, pais, professores  que varreu as ruas da cidade.

Vários sindicatos e organizações têm anunciado sua intenção de contestar nos tribunais esta lei, a qual deve permanecer em vigor até julho de 2013. Mas este processo pode levar anos.

“La Classe”, a principal coalização de organizações estudantis é mais direta: ela simplesmente chama a desobedecer a lei.

A crise estudantil cristaliza a reclamação de várias frentes

“A manifestação gigante de terça em Montreal mostra que ao adotar uma lei contra a liberdade de se manifestar, o governo de Quebec se voltou contra uma parte da opinião pública que agora aborda muitas queixas que não se relacionam com as taxas do ensino”, destaca a agência France Press (AFP, 2 de maio).

“As pessoas se unem aos estudantes porque o Primeiro Ministro do Quebec, Charest, foi longe demais “, disse um professor da Universidade de Montréal. “A ameaça paira sobre os direitos humanos, liberdade de expressão, liberdade de associação.”

Mas é também a rejeição de toda uma política que, depois de muitos anos, em nome do “usuário-pagador”, corta todos os orçamentos sociais, da educação e da saúde: quem tem dinheiro pode pagar pelos cuidados necessários, uma escola privada para seus filhos… Os outros, que se contentam com salários, empregos e serviços mínimos.

É, em última análise, uma série de fatores que criam a situação de hoje, onde não somente a política do governo é colocada em questão, mas também o próprio governo.

Mais de setecentas prisões na noite de 23 a 24 de maio

Frente a esta rejeição, que aumenta não apenas na juventude, mas em todas as camadas da classe trabalhadora, o governo parece ter escolhido o uso da força e da repressão.

Na aplicação de sua nova lei desonesta, mais de 700 prisões foram feitas na noite de 23 a 24 de maio. É a primeira vez que as forças de ordem executam a uma “prisão em grupo” massiva dessa forma na canadense (506 pessoas em Montreal, de acordo com o último relato policial) por “reunião ilegal”. Doze outras prisões individuais foram realizadas.

Ao mesmo tempo, a ministra da Educação, Michelle Courches, convidou os estudantes a retomar o diálogo, mas descartou a ideia de uma moratória à introdução do aumento das taxas escolares previstas para o outono.

“Sobre a moratória, os estudantes, as associações estudantis, sabem bem que não é possível, não é coisa qualquer que vamos considerar”, ela disse.

As organizações estudantis se dizem abertas às negociações, mas continuam a exigir a retirada do aumento.

*Retirado do Jornal Francês Information Ouvrières n° 202

**Quebec é uma província canadense, da qual Montreal é a maior cidade (NdT)

Canadá: multidão vai às ruas de Montreal em apoio à greve estudantil*

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