Na última quinta -feira (2), o menino Eduardo de Jesus, de apenas 10 anos, foi morto durante uma ação policial no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Eduardo e sua mãe estavam em casa assistindo televisão, até que a criança saiu até o portão e foi atingido pelas costas com um tiro na cabeça por um policial militar.

A mãe do garoto, Terezinha Maria de Jesus , ouviu o disparo e se deparou com o corpo de seu filho ensanguentado no chão.  “Ele estava sentado no sofá comigo. Foi questão de segundos. Ele saiu e sentou no batente da porta. Teve um estrondo e, quando olhei, parte do crânio do meu filho estava na sala e ele caído lá embaixo morto”.

Terezinha imediatamente reconheceu o PM como autor do disparo e foi ameaçada. “Eu marquei a cara dele. Eu nunca vou esquecer o rosto do PM que acabou com a minha vida. Quando eu corri para falar com ele, ele apontou a arma para mim. Eu falei ‘pode me matar, você já acabou com a minha vida’”.

Assassinato de Eduardo não é um raio em céu azul!
O assassinato do pequeno Eduardo está longe de ser um caso isolado. Nem mesmo é  um problema exclusivo do Rio de Janeiro. Atinge todas as periferias do país. A cada dia mais jovens negros e pobres são mortos por essa polícia militarizada, herança da ditadura.
Em São Paulo, no ano passado Policiais militares mataram 926 pessoas. Na Bahia, a PM cometeu uma chacina, matando mais de 15 jovens num bairro da periferia.

A PM age como se a população pobre fosse o inimigo a ser combatido. Sob o falso pretexto de combater as drogas, a violência e a criminalidade, cometem todo tipo de atrocidades. Executam quem consideram “bandidos”, ou quem pareça  ser inimigo.
É claro, não se vê nada disso em bairros “nobres”. A “confusão” da polícia, aparato do Estado a serviço dos ricos, é bem seletiva. O “sofrimento”externado na grande imprensa também.

Não há um verdadeiro combate às drogas, o que começaria com a fiscalização de fronteiras e da produção das drogas, com a investigação séria de helicópteros cheios de cocaína e a quebra do sigilo bancário de figurões envolvidos com o tráfico.
Muito menos uma política séria de combate a violência e a criminalidade, o que só pode ser feito oferecendo educação, cultura e lazer para a juventude.

Ao contrário, os picaretas do congresso nacional, não satisfeitos em permitir a existência da PM assassina querem reduzir a maioridade penal, para trancafiar  mais jovens na cadeia, como se mais cadeia fosse resolver qualquer coisa.

O Governador Pezão (PMDB) no RJ, responde que vai (re)ocupar o complexo do alemão. Não bastou o  assassinato de Eduardo e a repressão com bombas, gás de pimenta e porrada à manifestação que pedia paz e justiça. Diante do assassinato de 4 pessoas em 24h no alemão, incluindo Eduardo de 10 anos pelas mãos da polícia a solução é… mais polícia!

Já Alckmin (PSDB) em SP inovou na repressão. Decidiu comprar seis blindados de Israel, utilizados no massacre contra palestinos na faixa de gaza, para equipar a PM de SP. Foram gastos R$ 35,2 milhões, enquanto no estado de SP mais de 3 mil salas de aula foram fechadas.

Repressão, drogas,  destruição da escola, empregos precários, morte. Isso é o que o capitalismo com o estado e seu  aparato repressor tem a nos oferecer! Nós recusamos esse  futuro de barbárie!
A morte de Eduardo, dos jovens assassinados no Cabula na Bahia ou de cada jovem negro e pobre no Brasil não é normal!

Temos direito a um futuro!
A Juventude quer viver. Exigimos a desmilitarização da PM! Se o congresso não quer fazer, lutamos por reforma política com Constituinte já.

Dizemos não à redução da maioridade penal! Menos cadeias, mais escolas, parques, praças, quadras e bibliotecas!
A presidente Dilma, durante o 2° turno da campanha eleitoral, num discurso em Itaquera, periferia de SP  assumiu um compromisso: “Eu quero dizer aqui em alto e bom som um compromisso que eu tenho: eu tenho um compromisso de lutar contra a discriminação da juventude negra desse país, contra os autos de resistência, contra esse morticínio(…)”.
Pois nós exigimos que honre esse compromisso.

Abaixo o plano de ajuste fiscal do ministro Levy, que retira dinheiro dos investimentos sociais – como os cortes na educação-para dar a banqueiros e especuladores! Queremos investimentos em educação, cultura e lazer, com o fim da discriminação e do genocídio da juventude!

No dia 7 de abril e no dia 1°de maio, ao lado da classe trabalhadora e suas organizações como a CUT, o MST, entidades estudantis, sindicais e populares, estaremos nas ruas em defesa dos direitos – contra o ajuste – em defesa da Constituinte e da Petrobrás, patrimônio do povo brasileiro. Nessas manifestações do povo, não esqueceremos a morte de Eduardo.

Essa é a nossa luta por um futuro digno! Lute conosco! Organize-se!

Conselho Nacional da JR

Chega de massacre da juventude! Queremos um futuro digno!