Os jornais dizem, o dia a dia comprova, nossos olhos vêem e, a cada dia que passa, nos certificamos do abismo em que a juventude vem sendo empurrada. O Brasil apresenta números assustadores e nada positivos. Desde desemprego ao aumento de doenças que já haviam sido superadas; rebeliões em presídios e crescimento de trabalhos na informalidade – com os poucos ainda sobraram -, violência e, principalmente, o genocídio cometido sobre a juventude pobre, principalmente negra, do país, vamos vendo nossa juventude sendo protagonista dos obituários. Tudo isso é extremamente preocupante.

Podemos usar o Rio de Janeiro como um exemplo que nos permite olhar para o país. A polícia militar no Rio aplica o seu verdadeiro papel. Militarizada, essa polícia é treinada e preparada para guerra. Ao olharmos os números, percebemos que, diariamente, esta guerra acontece, principalmente, nas periferias do estado. Segundo ISP (Instituto de Segurança Pública), sob o governo Witzel, a polícia militar no Rio já responde por quase metade das mortes na região metropolitana do Rio de Janeiro. O número chega a 41,5% das mortes violentas[1]. Os números de homicídio e assassinatos no Rio correspondem aos mesmos de uma guerra civil. A maioria das mortes são de jovens, alguns, adolescentes, que não conseguem, sequer, chegar a maioridade e perdem sua vida, seu futuro, seus sonhos e sua família.

O dia 03/09/19 reacende a discussão sobre a cidade do Rio de Janeiro, direitos sociais e, também, sua violação. As ruas pelas regiões da Cidade de Deus, uma das favelas mais conhecidas do estado, permaneceram fechadas com protestos de moradores contra a ação do famoso Caveirão[2]. Diversos vídeos de moradores mostram a ação do Caveirão derrubando barracos na comunidade. Casas de trabalhadores jogadas no chão, fios de energias destruídos com moradores aos gritos, alguns, sob desespero, chutando o carro da PM em defesa do pouco que conquistaram. “A gente trabalha. A gente respeita vocês. Isso é covardia”[3] – grita uma moradora a confrontar os policiais do Batalhão de Operações Especiais – BOPE – causadores das derrubadas. Com a situação, os moradores da Cidade de Deus atravessaram ônibus nas ruas, queimaram lixo, fecharam o trânsito em protesto contra a ação policial. “Isso é errado. Isso é o que o governador faz. O caveirão passando por cima de barraco, a gente sem defesa nenhuma. Eu acordei aos gritos. Isso é errado, pessoal. Vocês mexeram no formigueiro” grita outro morador, revoltado com a ação policial.

No mesmo dia, em outra comunidade do Rio, agora na Vila Kennedy, protestos tomam conta da Av. Brasil, após um pedreiro ser morto com um tiro na cabeça enquanto trabalhava em cima de uma laje. Segundo moradores, a polícia chegou atirando e matou o pedreiro conhecido como Juninho. “Acabaram de matar um trabalhador em cima da minha laje! O cara fazendo minha laje! O cara trabalhando, cara, o policial atirou (…) é impressionante como a gente tá sofrendo aqui na Vila Kennedy” [4] O relato do dono do bar onde o pedreiro fazia a laje, retrata a realidade das favelas cariocas. Após a morte do pedreiro, os moradores fecharam a Av. Brasil, queimaram pneus e, assim como os moradores na Cidade de Deus, protestaram contra ação policial.

O que presenciamos nas periferias do Rio é o total descaso do Estado para com os trabalhadores e juventude fluminense. Os protestos trazem consigo o sentimento de cansaço da população com esse descaso, que deseja ser melhor tratada, que possa ter acesso aos serviços públicos de qualidade, que possam deixar seus filhos irem à escola sem o medo das ações policiais. A verdade é, que sob governo Witzel, – apadrinhado por Bolsonaro -, todos esses direitos estão sendo cortados. As condições de vida pioram a cada dia enquanto o governo Bolsonaro/Witzel se mantém no poder. É por isso que, o combate para darmos fim a estes dois governos é essencial para sobrevivência da população.

Antonio, militante da Juventude Revolução do PT no RJ.


[1] http://www.ispvisualizacao.rj.gov.br/index.html – Site ISP.

[2] Para quem não conhece: o caveirão é um carro especial, totalmente blindado, que leva este nome devido a sua função: execução. Por onde o Caveirão passa, o registro de morte acontece.

[3] https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/09/03/moradores-protestam-na-cidade-de-deus-na-zona-oeste-do-rio.ghtml Matéria do G1

[4] https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/09/03/pedreiro-e-morto-na-laje-de-casa-na-vila-kennedy-na-zona-oeste-do-rio.ghtml Matéria no G1

CIDADE DE DEUS E VILA KENNEDY, O RETRATO DO DESCASO COM O POVO!

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