Em 15 de junho, daqui a dois dias portanto, começa a Copa das confederações, uma prévia da Copa do Mundo, para a FIFA testar os novos estádios e a estrutura do país sede. Além da paixão pelo futebol envolvida, é verdade que grandes eventos “movimentam” a economia (turismo, comércio) e podem gerar empregos temporários. Mas a que preço? Os eventos, organizados pela FIFA geram bilhões de lucros, com a venda de ingressos nada populares (o mais barato custa cerca de R$120,00) e investimento massivo de dinheiro público, que vai direto para o bolso das grandes empreiteiras.

Segundo dados do TCU (Tribunal de Contas da União) no fim do ano passado, haviam sido gastos cerca de R$7 bilhões na construção dos 12 estádios, dos quais R$ 4 bilhões vieram do Governo federal, e apenas R$ 612 milhões da iniciativa privada.

O ministro Aldo Rebelo (PC do B) diz que são empréstimos e que tudo retornará aos cofres públicos, mas os estádios construídos com dinheiro público serão entregues para a iniciativa privada. O primeiro foi o Maracanã, que custou R$ 808,4 milhões, mas foi licitado por R$ 181,5 milhões divididos em 33 parcelas (!) a um consórcio que inclui Eike Batista e multinacionais como Odebrecht e AEG, que administra estádios em mais de 100 países.

Isso para não falar nos elefantes brancos, como os estádios de Brasília e Manaus, onde não há times grandes de futebol capazes  de atrair publico.

Algumas prefeituras e estados querem cortar gastos em investimentos sociais e serviços públicos, como é o caso de Belo Horizonte onde o prefeito Márcio Lacerda (PSB), tentou, no fim do ano passado, derrubar a lei que previa investimento de 30% do orçamento municipal em educação para investir na Copa.

E não é só isso. Várias populações foram removidas à força para dar lugar aos empreendimentos da Copa (e das olimpíadas) e o governo concedeu à FIFA uma isenção de impostos que significa deixar de arrecadar R$ 559 milhões.

Trabalho voluntário de jovens
Os cartolas corruptos e milionários da FIFA pressionam para que os estudantes não tenham direito a meia entrada  na Copa, além de terem conseguido, com  o apoio do governo brasileiro, utilizar em seus eventos mão de obra voluntária.

Com a promessa de formação e qualificação profissional, mais de 130 mil jovens se inscreveram para ser voluntários FIFA e terão que trabalhar até 10 horas por dia sem remuneração, direitos trabalhistas (terão direito a um sanduíche!). Um atropelo à já questionável legislação brasileira sobre o assunto, que permite a entidades sem fins lucrativos fazer uso de mão de obra voluntária desde que haja “função social”. A FIFA não é entidade sem fins lucrativos e muito menos a copa tem alguma função social. A “missão” dos jovens voluntários é fazer “a melhor copa do mundo de todos os tempos” segundo o site da FIFA. Assim a  Copa para a FIFA e as multinacionais, é uma excelente fonte de lucro, à custa do dinheiro público e de trabalho não remunerado.

É preciso por fim a essa farra!

Da copa das confederações até a copa do mundo, essa situação pode continuar e até piorar! É preciso por fim a isso! É preciso pautar essa questão no movimento estudantil, nas entidades, na discussão com a juventude e trabalhadores e resistir, exigindo de Dilma que acabe com essa farra de transferência de dinheiro público para a iniciativa privada e que impeça o trabalho “voluntário” FIFA.  A UNE, CUT e outras entidades precisam organizar essa luta.

Luã Cupolillo, é militante da JR em São Paulo – SP

Copa: FIFA e multionacionais exploram jovens e mamam no dinheiro público