Nos dias 28 a 30 de novembro de 2013 realizou-se o 40° Congresso da União Brasileira de Estudantes Secundaristas. Foi o primeiro congresso de uma entidade nacional estudantil, depois que milhões de jovens foram às ruas, levantando suas reivindicações e demandas.

Com mais de 60 anos, a UBES deve servir para os estudantes como um instrumento de luta pelas reivindicações e em defesa da soberania nacional.

Victor Caique, diretor eleito da UBES

No congresso, entretanto, dos sete mil delegados eleitos nas escolas, apenas 2.300 participaram. A direção dizia que seria um congresso grandioso. Mas o que se viu, além da “quebra” de quase dois terços de delegados, foi um CONUBES desorganizado, espremido e frágil na discussão política, em função da direção da entidade ter decidido diminuir em um dia, por causa de um jogo do Cruzeiro!

Várias organizações políticas intervieram no congresso, mas ao invés de uma maior politização e busca de unidade para a luta, a maioria dos debates foi tomada por uma verdadeira “guerra de torcidas”, entre a União da Juventude Socialista (UJS, do PCdoB) maioria na direção e que também reunia a maioria dos delegados, e a dita “Oposição de esquerda” composta pela Juventude do PSOL e a União da Juventude Rebelião (UJR do PCR). Isso na prática impediu uma maior discussão e a organização para luta.

Nesse quadro, a Juventude Revolução buscou se organizar para participar dos debates e discutir política, chamando a unidade e a necessidade da UBES organizar a luta dos estudantes.

Posicionamo-nos contra o Leilão de Libra, pedindo a sua reversão. Também discutimos o papel repressor da Polícia Militar (PM), as mortes, e a opressão que isso causa à população mais pobre. Pautamos a luta pela desmilitarização da PM que hoje mata mais jovens do que os casos registrados durante a ditadura. Defendemos também que a UBES se posicionasse pela anulação do julgamento político realizado pelo STF, da Ação Penal 470, que abre precedentes para a criminalização dos movimentos sociais.

Propusemos o apoio ao Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva e Soberana para fazer a reforma política, e a necessidade da UBES organizar a luta pelo Passe Livre estudantil.

Essas duas últimas foram inseridas na Convocatória da Jornada de Lutas, prevista para março/abril do ano que vem, com a luta pela desmilitarização da policia e punição aos crimes da ditadura.

Alguns delegados ao ouvirem nossas falas votaram em nossas resoluções. Lançamos uma chapa própria, defendendo a necessidade de uma UBES independente e mais presente nas escolas, lutando pelas bandeiras acima mencionadas. Obtivemos 33 votos, ampliando o número de delegados comprometidos com a tese UBES é Pra lutar. Garantimos uma vaga na direção da entidade para os próximos dois anos.

Mas há ainda um longo caminho a percorrer. É preciso prosseguir a luta para que essa nova direção eleita da UBES tenha independência do governo e organize os estudantes na luta por suas reivindicações, apesar dos problemas e debilidades do congresso, vamos buscar, acima de tudo, nos organizar em nossos estados e fazer os balanços nos colégios sobre o 40° CONUBES para fortalecer na base a luta que defendemos no Congresso.

Por isso a hora agora é de construir mais entidades estudantis de base e por em práticas as campanhas como a luta pelo Passe Livre e o Plebiscito Popular pela Constituinte.
É assim que buscamos nos aproximar das demandas que a juventude levou às ruas nas jornadas de junho.

Victor Caique, é militante da JR no DF e diretor eleito da UBES pela tese UBES é Pra Lutar

Depois do Congresso da UBES reforçar a organização nas escolas