A Caravana da UNE, ocorrida no último dia 6.10, foi fruto de um combate feito por estudantes delegados no 54º congresso da entidade, nas reuniões da diretoria e por uma campanha de moções assinadas por centros acadêmicos e DCEs por todo país, cobrando da direção da entidade o imediato anúncio da data para Caravana, que poderia ter sido um ponto de apoio na luta contra o ajuste fiscal e os cortes na educação.

Porém, somente na reunião da executiva da UNE, no dia 17 de setembro, a direção da entidade, depois da pressão na base, convocou a Caravana. Ainda assim, com um prazo muito curto de apenas duas semanas, o que tornou inviável a expectativa de uma grande mobilização nas ruas de Brasília, que contou com somente 300 estudantes!

A mobilização teve várias dificuldades em função da data escolhida (muitas universidades estavam voltando da greve, as reitorias não disponibilizaram ônibus, as UEEs não disponibilizaram orçamento pra custeio de ônibus etc.) e mesmo com número reduzido nas ruas, a diretoria da UNE, DCEs, CAs e Associações de curso foram recebidos pelo ministro da educação Aloísio Mercadante.

Na abertura da audiência a presidente da UNE, Carina Vitral, quando poderia cobrar do Ministro uma posição contrária aos cortes, se limitou a fazer críticas. Defendeu a continuidade da expansão das universidades públicas via “Reuni 2”, mais investimento na Assistência Estudantil, cobrou do MEC fiscalização nas instituições privadas quanto a substituição irregular de disciplinas presenciais por online. Apontou a importância da defesa da Petrobrás e da democracia. Thiago Pará, secretário-geral da UNE, acrescentou cobrando do ministro que estabelecesse diálogo com o movimento grevista nas universidades públicas e que continuasse o combate pela erradicação do analfabetismo.

Todas essas são justas e legítimas reivindicações. Mas e a reversão dos cortes? E o ajuste fiscal do Plano Lavy? Não era esse o principal combate que o 54º Conune encaminhou? Por que a direção da UNE não tocou no problema? A quem serve não combater o ajuste fiscal? Será que a desculpa era defender a democracia? Mas como os estudantes defenderão a democracia, o mandato popular se o governo insiste na política de ajuste que ataca a educação?

Na audiência, o ministro da Educação, Aloízio Mercadante, defendeu o ajuste fiscal e seus respectivos cortes! No que diz respeito ao diálogo com os grevistas Mercadante foi categórico em defender o corte do ponto dos professores e não sinalizou disposição em dialogar com a categoria. Finaliza propondo apenas a criação de uma comissão para fiscalização das irregularidades nas disciplinas online.

A postura recuada da presidente da entidade somada a posição firme do ministro em defender a atual política econômica não trouxeram aos estudantes avanços contra os cortes de R$11 bilhões na educação. Dessa forma, a direção da UNE blinda a política do ajuste fiscal, em franca contradição com a deliberação do seu 54º Congresso!

Certamente, não será agora que cruzaremos os braços e nos conformaremos com esse resultado. Ao contrário, no retorno às universidades cada estudante deve se somar aos centros acadêmicos e DCEs na mobilização contra os cortes e seguir pressionando a direção da entidade que realmente construa uma luta nacional com o conjunto dos estudantes para barrar os cortes e o próprio ajuste fiscal.

Sarah Lindalva, diretora da UNE eleita pela tese “UNE é pra lutar!” e militante da Juventude Revolução em Brasília.

Direção da UNE não mobiliza e caravana sai sem conquistas!