No dia 01 de abril de 2014, completaram-se 50 anos do início de um período nefasto da nossa história, a Ditadura Militar, que durou 21 anos.

As mobilizações de massa dos trabalhadores e trabalhadoras exigindo de Jango, presidente à época, a realização das reformas de base eram o pano de fundo. A aliança do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o “partidão”, à burocracia sindical atrelada ao Estado impediu a organização da classe trabalhadora e da juventude para evitar o golpe. Patrocinados pelo imperialismo estadunidense, setores do Exército prepararam o Golpe Militar, que teve início em 01 de abril em 1964. Era o início de um processo de pilhagem da classe trabalhadora no país nunca antes vista.

Em todo o país, diversas organizações lembraram esse dia para que nunca mais aconteça. A Juventude Revolução (JR) não fez diferente. Em Salvador, realizamos três atividades importantes nesse para lembrar os 50 anos do Golpe Militar

No dia 31 de março, participamos, na Assembleia Legislativa da Bahia, do ato pela devolução dos mandatos cassados na ditadura. Conversamos com um grupo de cerca de 40 jovens sobre o que significou o período da ditadura para a classe trabalhadora e para a juventude, assim como dialogamos com a necessidade de lutar pela punição dos torturadores e criminosos da ditadura!

Pela manhã do dia 01 de abril, participamos do ato organizado pelo Comitê Baiano pela Verdade, em conjunto com outros comitês, e a Fundação de Cultura do Estado da Bahia, no Forte do Barbalho. Este foi um dos principais locais de tortura na Bahia. O ato contou com a presença de ex-presos políticos, como José Carlos Zanetti, o deputado federal Emiliano José, dentre outros. Além desses, também estiveram presentes advogados que no período defenderam os presos políticos e também foram alvo de torturas físicas e psicológicas. Os participantes visitaram as celas e as salas de tortura, locais onde muitos dos ex-presos nem conseguiram entrar, só em lembrar das torturas que sofreram, e que muitos não suportaram. Nesse ato foi inaugurado o Memorial de Resistência do Povo da Bahia, importante espaço de resgate da memória.

No turno da tarde, fomos convidados a comparecer à comunidade do Calabar, onde o Grupo de Apoio e Prevenção à Aids da Bahia (GAPA) realizou uma roda de conversa com o tema “50 anos do Golpe Militar: a democracia que temos e a democracia que queremos”.

Diversas organizações estavam presentes e, após a explanação sobre o período da ditadura e o atual modelo de segurança pública feita por convidados e líderes comunitários, abriu-se o debate. Nós, da JR, colocamos a necessidade da desmilitarização da polícia. A PM, herança da ditadura militar, que está instalada na comunidade do Calabar com “bases comunitárias”, é a mesma que promove o genocídio da juventude negra nas periferias do Brasil e é a mesma que reprime manifestações de jovens e trabalhadores pelos seus direitos.

A lógica da militarização ficou evidente em diversos depoimentos sobre a abordagem policial dentro da comunidade. O líder comunitário Rodrigo Alves, do Instituto Fatumbi, relatou um caso em que um rapaz foi abordado pela base simplesmente pelo cabelo dele ser black power, perguntando-o constantemente onde ele morava. Ele não fez a denúncia porque precisa entrar e sair da comunidade onde mora todos os dias pra trabalhar.

Colocamos também a necessidade de se fundar, no Calabar/Alto das Pombas, um comitê local pelo Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana para reformar o sistema político e dar passos para garantirmos no Brasil uma representação democrática. A proposta foi bem aceita pelos presentes e fizemos alguns contatos, além dos que já tínhamos, para viabilizarmos a formação do comitê.

Ao final, estendemos a nossa faixa que resumiu o sentimento daqueles que falaram no debate: “Punição aos torturadores e criminosos da ditadura!”

Clara Lima e Rodrigo Lantyer, militantes do núcleo de Salvador da Juventude Revolução.

Em Salvador JR participa de atividades sobre os 50 anos do golpe de 64