ocupação adélia

Como forma de chamar a atenção da sociedade e pressionar o governo do Estado da Bahia (Rui Costa, PT) em relação aos problemas da falta de professores para o estágio e estrutura física, os estudantes da escola técnica estadual Adélia Teixeira estão ocupando o colégio desde o dia 08 de agosto. A escola fica no município de Vitória da Conquista, a 480 km de Salvador. O colégio é uma instituição técnica de ensino, especializado na formação de profissionais em saúde, mas as condições de estudo e trabalho encontram-se precárias. “Inspirados nas ocupações das escolas em São Paulo no início deste ano, os estudantes do Adélia perceberam que era preciso fazer algo a mais do que ficar esperando passivamente a solução dos problemas reais da sua formação”, afirmou a estudante Ana Beatriz. Em entrevista concedida a um professor da escola, a pedido da Juventude Revolução, Ana Beatriz e Luiz Novais, estudantes da escola e da coordenação da ocupação explicaram melhor a situação.

  1. O que levou os estudantes da escola Adélia Teixeira a ocuparem o colégio?

Ana Beatriz: Em primeiro lugar é para pressionar o Estado e o núcleo regional de Educação (NRE) para perceberem o descaso que está aqui em nosso colégio. Essa ocupação não foi de uma hora para outra. Ela aconteceu por conta de insatisfações e após várias tentativas de reunião com a direção da escola e com a representação regional da secretaria de educação sem que ninguém ouvisse a nossa voz.

  1. Quais as reivindicações dos estudantes?

Luiz Novais: Nossa  principal reivindicação é a contratação de professores para os estágios. Nosso curso é técnico integrado ao ensino médio. Se não cumprirmos a carga horária prática (estágio) nós não recebemos o certificado técnico, nem o de conclusão do ensino médio.  Os professores de estágio não estão sendo contratados e não há concursos previstos . Assim, este problema tem afetado as nossas vidas. Sem cumprir esses estágios corremos o risco de ficar sem a certificação para continuar nossos estudos ou trabalhar. Outro problema é a terceirização dos trabalhadores do serviço público estadual. Há funcionários que estão há 5 meses sem receber seus salários.  Assim, nossa luta também se junta a dos funcionários, pois eles também são responsáveis pela qualidade da educação. Há ainda o problema da infra-estrutura da escola. Nosso colégio não tem suporte algum para ser um colégio de nível técnico. Nós não temos laboratórios e temos uma sala que está caindo. Há oito anos foram vários laudos de engenheiros dizendo que a mesma está em perfeitas condições, mas é evidente que a sala está caindo, dada as fissuras que ela possui.

  1. E como vocês estão organizando a ocupação aqui na escola?

Ana Beatriz: Todos os dias circulam em média duzentas pessoas. A maioria dos professores e professoras estão nos apoiando. No período da tarde temos aulas públicas, a galera do RAP e Funk produzem aqui sua arte; outros colegas ficam nos computadores fazendo a comunicação; elaboramos cartazes. Nós nos distribuímos em várias comissões: equipe  para arrecadar recursos, cozinha, limpeza, comunicação, organização, negociação.  Assim vamos mantendo a nossa ocupação.

  1. E como estão as negociações com o governo do Estado?

Luiz Novais: A promessa era que até terça (16/08) tudo estaria resolvido. Mas até agora a única coisa que chegou foi a bomba de água e o espaço de laboratórios que serão feitos em outra escola próxima da nossa. Mas sobre os estágios e a reforma da escola não houve nenhuma resposta.  Não houve retorno sobre quantos e quando os professores de estágio será contratados, nem indicaram quando a empresa virá para fazer os laboratórios e a reforma da escola viriam.

Ana Beatriz: a ocupação continuará por tempo indeterminado, até que tenhamos algo concreto e um termo de compromisso assinado.

Escola ocupada pelos estudantes no interior da Bahia

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