A juventude não tolera a impunidade e o privilégio ainda concedido a assassinos e torturadores da ditadura militar. Esse sentimento fez com que cerca de 120 jovens se mobilizassem, nesse domingo dia 11 em São Paulo, para escrachar José Maria Marin, presidente da CBF, apontado como um dos responsáveis pelo suicídio forjado de Vladimir Herzog. Herzog era  jornalista, apagado pela ditadura na busca de silenciar a voz que denunciava a pobreza do povo. Para homens como José Maria, servia para “disseminar intranquilidade”, para ele o espaço midiático deveria estar a serviço da burguesia favorecida pelo regime militar.

Militante de diversos movimentos de esquerda começaram a se reunir a partir das 14h, no vão do Masp. A partir de lá, marcharam até a frente da casa do escrachado, cantando:

“Olha a ficha suja do José

Será que ele é

Será que ele é

DEDO-DURO

 

Foi ele que matou o Vlado

E o nome dele é José,

Disseram que foi enforcado,

Suicídio eu sei que não é!

Vamos escrachar ele

Vamos escrachar ele”

Marin foi deputado pela Arena durante a ditadura. Em discurso na Assembleia Legislativa paulista, registrado no Diário Oficial do Estado em 9 de outubro de 1975, 16 dias antes do assassinato de Vladimir Herzog, disse: “É preciso mais do que nunca uma providência, a fim de que a tranquilidade volte e reinar não só nesta casa mas, principalmente, nos lares paulistanos”.

Ainda é necessário varrer os entulhos da ditadura, punir homens dessa estirpe que, além de impunes gozam de privilégios. Marin já foi deputado, vereador, governador do estado de São Paulo, atualmente é presidente da CBF, responsável pela organização da Copa do Mundo no Brasil. O que é uma vergonha, como afirmou o deputado estadual Adriano Diogo, presidente da Comissão Estadual da Verdade.

Entendemos que escrachar os assassinos é uma das formas com a qual a juventude pode divulgar os crimes cometidos pela ditadura e exigir sua punição. É preciso também que haja uma revogação da Lei da Anistia que encobre torturadores e assassinos possibilitando que caminhem livremente pela rua e não os reconhecendo como criminosos. Além disso, é preciso conquistar a desmilitarização da polícia, que hoje segue matando e oprimindo o povo, em especial a juventude negra e pobre.Os resquícios da ditadura continuam presentes no nosso dia-a-dia impregnado na nossa nação e cultura. Foi isso que lembrou o militante da JR Joelson Souza, em sua fala no ato. A JR também distribiu panfletos tratando da luta pela punição dos crimes da ditadura.

Participaram do ato militantes da JPT, do Levante Popular da Juventude, da UJC, do PCR, da Consulta Popular, do DCE da USP, do PSOL e outras. Agora, é preciso ampliar e manter a unidade nesta luta.

 Não haverá verdade se não houver justiça!

Não haverá justiça se não houver punição!

Os crimes da ditadura não têm perdão!

Raíra Rosenkjar, é militante da JR em São Paulo

Escracho contra José Maria Marin, agente da ditadura!