Com grande satisfação, recebemos da Organização de Jovens pela Revolução da Argélia (OJR) um chamado para “abrir um diálogo entre os jovens militantes sobre seus direitos e para trocar experiências”.

Nos identificamos com o conteúdo do documento, e por isso, decidimos nos associar.

O imperialismo leva a juventude de todo o mundo à situação de barbárie. A crise irreversível do capitalismo joga os jovens nas trincheiras de guerras cujos interesses são a tentativa de sobrevida desse sistema podre. Enquanto o capitalismo tenta sobreviver, a juventude é assassinada e seus direitos mais elementares são retirados. Assim, a burguesia busca reduzir o custo da força de trabalho, atacando direitos dos trabalhadores. A juventude é atingida diretamente com aumento do desemprego, ataques à educação pública, drogas, etc. A despeito disso, a resistência segue viva em diversos países contra o caminho que nos leva a barbárie.

No Brasil, o nível de desemprego passa dos 27% entre os jovens de 14 a 24 anos e já atinge 14, 2 milhões de brasileiros; as escolas e universidades estão sendo brutalmente atacadas pelo governo golpista de Michel temer, fruto de um golpe dado pelo Congresso Nacional, através de um impeachment, sustentado pelo Poder Judiciário e patrocinado pelo imperialismo; a Polícia Militar segue o seu genocídio contra a juventude negra e pobre das periferias. São comuns as prisões arbitrárias e mortes de jovens nos bairros mais pobres.

Nesta crise no Brasil, o Poder Judiciário exerce uma forma de bonapartismo, guardando muitos entulhos da Ditadura Militar de 1964, se pretende acima dos outros poderes, por exemplo, quando legisla no lugar do Congresso. Este mesmo Judiciário foi o que prendeu dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) sem nenhuma prova, e agora, com a chamada “Operação Lava Jato”, que destrói a soberania nacional (atacando a Petrobras e outras empresas, gerando desemprego), agrava a crise econômica, além de perseguir o ex-presidente Lula, que sobe em pesquisas na disputa à presidência da república. Nota-se que a intenção das instituições apodrecidas é destruir todos os instrumentos de luta que a classe trabalhadora e a juventude criaram como foi tentado pelo Congresso Nacional ao abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a União Nacional dos Estudantes (UNE), maior entidade estudantil da América Latina.

Assim, o governo fantoche necessita aplicar todas as medidas contra a juventude e a classe trabalhadora brasileira. Este “governo” já fez aprovar o teto dos gastos públicos e a reforma do ensino médio. O primeiro limita os gastos do Estado como, por exemplo, educação, a fim de transferir mais dinheiro para os bolsos dos banqueiros e especuladores; já o segundo retira da juventude o direito ao conhecimento produzido pela humanidade, bem como restringe o direito de frequentar a escola pública. Contra ambos, houve uma ampla resistência dos estudantes que ocuparam escolas e universidades em 2016 e obrigaram as direções das entidades estudantis a assumir a luta pela retirada destas cruéis medidas.

Recentemente, o governo golpista aprovou na Câmara dos Deputados a reforma trabalhista, que retira conquistas inscritas na Consolidação da Leis do Trabalho (CLT), desde a década de 1940! As férias, salário, jornada de trabalho, 13º salário, tudo isso está ameaçado depois da aprovação desta lei. Agora, o principal projeto deste governo ilegítimo é a reforma da previdência que institui idade mínima de 65 anos (homens) e 62 anos (mulher) para aposentadoria no Brasil, além de propor 40 anos de tempo mínimo de contribuição. Para exemplificar, um jovem de 16 anos, segundo essa proposta, terá que trabalhar por 40 anos, contribuindo para a previdência, sem ficar desempregado nem um dia, e só se aposentará quando completar os 65 anos! Ressalte-se que a expectativa de vida no Brasil, em alguns locais, não chega a esta idade. É o futuro da juventude brasileira que está em jogo!

Porém, os dias 15 e 31 de março de 2017, demonstraram a força da mobilização da classe trabalhadora, anunciando uma virada na situação, que culminou na maior greve geral da história do país dia 28 de abril, convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) com milhões de trabalhadores cruzando os braços, onde a JR participou de piquetes nas universidades e portas de fábrica e nos atos.

A esta situação de intensa luta de classes, soma-se a podridão visível das instituições burguesas no Brasil. O governo golpista tem 4% de aprovação, seus ministros e sua base aliada estão, em grande parte, envolvidos em escândalos de corrupção. Tudo isso demonstra, mais do que nunca, a necessidade de uma Constituinte Soberana para abrir caminho às reformas que o povo precisa. No Brasil, o Congresso Nacional, eleito com o dinheiro dos grandes empresários e latifundiários e sem o mínimo de democracia (um eleitor não é igual a um voto), é um bloqueio aos interesses da juventude e da classe trabalhadora.

Nessa situação nacional, entendemos que a luta dos jovens brasileiros se identifica com a luta dos jovens da Argélia, França, Palestina e de todo o mundo. Consideramos que o caminho para a derrota do capitalismo é a unidade da juventude e da classe trabalhadora a nível mundial.

Por isso, nos associamos ao chamado da OJR sugerindo que iniciemos um intercambio de informações das lutas de resistência em nossos países. Saudamos a iniciativa do AciT em construir a Conferência Mundial Aberta, convocada para outubro em Argel.

Saudações revolucionárias.


Conselho Nacional da Juventude Revolução
Brasília, 22 de maio de 2017

Resposta ao chamado da Organização de Jovens Pela Revolução (OJR) – Argélia
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