Racionais MC’s, genocídio da juventude preta e periférica, miséria e desigualdade social. Essas são as imagens que muitas pessoas imaginam ao ouvir sobre bairro Capão Redondo. A realidade dos moradores do Capão não é exclusividade do distrito em questão, já que muitas regiões da cidade, do estado e do país, passam pelo mesmo problema. Um sistema que oprime, marginaliza e mata milhões de trabalhadores no mundo, o capitalismo.

No dia 25/07/2017, os jovens do bairro localizado na zona sul de São Paulo, se reuniram para debater sobre o acesso a educação por meio da exposição do documentário “Nunca me sonharam” e por relatos dos moradores da região, que hoje se encontram inseridos na universidade. O encontro reuniu cerca de 40 pessoas, contando com a presença de universitários, secundaristas, professores e alguns pais.

O documentário traz o testemunho de vários jovens, professores e pesquisadores, sobre a realidade da educação básica nas periferias do Brasil. Entretanto, peca nas conclusões, que em tese iriam resolver os problemas da educação no país, pois só oferece como solução a adoção de novos projetos pedagógicos, passando longe do problema principal, o financiamento da educação. Muitas escolas se encontram sem estrutura para oferecer uma educação de qualidade, já que o ensino público está sendo sucateado, deixando brecha para a atuação de instituições que se apresentam por meio de ONG’s para implementar projetos da iniciativa privada.

A atividade teve uma duração de cerca de 3h30min e foi muito produtiva. Os jovens convidados para relatarem um pouco da sua trajetória até o ingresso na universidade foram unânimes na análise sobre o assunto em questão. A educação no Brasil está sucateada, é injusta e não oferece as condições necessárias para o jovem se manter na escola. Se este não consegue ser mantido no ensino básico, quem dirá entrar na universidade!

Tirou-se como conclusão política do encontro que, quando o sistema em vigência não oferece as condições necessárias de sobrevivência para aqueles que o mantém, a única saída é a luta. A luta no bairro contra os cortes do leite das crianças, a luta na rua contra o aumento da passagem que não permite a mobilidade dos moradores e restringe o acesso dos jovens ao lazer e da cultura, a luta nas universidades por meio da construção dos DA’s e CA’s, a luta secundaristas para a construção de um grêmio livre e independente.

Após a exibição do documentário, foi realizada uma apresentação da Juventude Revolução para os que não conheciam, e com aqueles que já tínhamos algum contato, fortalecemos os laços, para que assim seja possível organizar e construir a luta na região pelos direitos da juventude e da classe trabalhadora.

Luiz Phelipe, é militante da Juventude Revolução SP

Cine-debate no Capão Redondo em SP discute situação da educação
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