No dia 18 de outubro a juventude do MAIS (ex pstu, atual PSOL) de Florianopólis publicou na página do MAIS no facebook, em resposta a uma nota da Juventude Revolução, uma nota que nos acusava de “Falsa polêmica” e “distorção dos fatos”, pois teríamos acusado-os (os presentes na reunião, do MAIS) de “não querer um Centro Acadêmico que lute contra as arbitrariedades do judiciário e que são favoráveis à prisão de Lula” (nota do mais).

A nota do MAIS tentava explicar: “Falsa polêmica a que os companheiros criaram! Na reunião, ninguém se opôs a caracterização de que Lula é um perseguido político, apontamos, inclusive, seus direitos democráticos de se candidatar a presidência. A discussão girou em torno da necessidade de apontar ao longo de tantas linhas uma defesa de Lula e pouco se falar, de fato, das reivindicações a nível de universidade e seus cursos.

Por óbvio um Centro Acadêmico com programa eleito jamais deve se abster de discussões de conjuntura nacional (…)”

Em nossa nota não acusamos os companheiros do MAIS de defender esta ou aquela posição – mas simplesmente afirmamos o que considerávamos necessário discutir e repudiamos a postura pouco política com que trataram a discussão, com chacotas e provocações. Quem tem dúvida pode conferir nas notas das duas organizações que reproduzimos abaixo (anexo). Mas isso nem é o mais estranho.

O que nos espanta é que depois de negarem acusações (que nem sequer fizemos), afirmarem defender certas posições e dizer que só teriam sido contrários a “gastar três parágrafos” sobre o assunto, além de realçarem a importância política da discussão de conjuntura, a chapa 1 – Não me Callo impulsionada pelo MAIS, tenha lançado um material que não tem sequer uma linha de conjuntura (veja fotos). Nem mesmo Fora Temer!

Aproveitamos para apresentar o material da chapa que fazemos parte, para comparação.

Nada como um dia após o outro…

Material da chapa 1 – Não me Callo

 

 

Material chapa 2 do CALL

Anexo 1 – Nota da JR e independentes em 17/10

É POSSÍVEL ESSA UNIDADE?
Levando em consideração a gravidade do momento político que vivemos e que precisamos de força para barrar os retrocessos, acreditamos que é importante uma chapa forte e que esteja convicta em fazer a resistência, das demandas locais até a raiz dos problemas. Por isso, fizemos um esforço em nos somar a construção de uma unidade para criar uma chapa ampla mesmo apesar das divergências que começaram desde a forma como foi convocada a primeira reunião, sem partir das reivindicações.
Por acreditarmos que a unidade não pode se dar apenas sobre a política que defendemos, e que é necessário esforço de todos interessados em construí-la, aceitamos ceder em nossas PRINCIPAIS POSIÇÕES em nome da construção conjunta. Recuamos na nossa posição de apoiar Lula presidente pro ano que vem, falando apenas que devemos sair em defesa do DIREITO DEMOCRÁTICO de ele se candidatar, entendendo a perseguição política que sofre pela burguesia caracterizada no estado de exceção. Recuamos também em apontar a constituinte como a ÚNICA SAÍDA política plausível expondo na reunião que não teríamos problemas em apontar outras saídas como as diretas, unir forças nas ruas, etc. Infelizmente, na terceira reunião que discutimos o tema, não faltaram ridicularizações e interrupções às nossas falas, ao nível absurdo de que supor que estavamos sugerindo que retirasse o nome do Lula, em busca de consenso, e botasse apenas “o candidato que tem apenas 9 dedos e ja foi presidente”, ou apontar que um trecho do texto que relatava a perseguição aberta e escancarada verificada em qualquer jornaleco, era pura “babação de ovo do Lula”.
Contudo, compreendemos que esse esforço não deve ficar só nas palavras e deve se refletir na prática dos indivíduos e organizações. Por não sentir esse esforço, e por entender que numa conjuntura de caos em que vivemos, não existe condições de construir uma chapa que não discuta até o final o estado de exceção. E hoje, discutir o estado de exceção passa necessariamente por reconhecer a perseguição política e descabida que se faz contra o Lula, pela Lava Jato a serviço do imperialismo, tentando impedir o seu direito de se candidatar porque hoje ele representa uma ameaça aos golpistas, conforme mostram as pesquisas. Não se trata de uma discussão eleitoral de defender o Lula ou não, a questão é política e muito mais profunda que isso, pois se trata de defender o seu direito democrático a se candidatar; defesa incontornável para própria sobrevivência do Movimento Estudantil e da classe trabalhadora. Temos firmeza em afirmar que um CA tem dever de defender os direitos democráticos e, de maneira alguma, se furtar de discutir quaisquer assuntos que sejam pelo argumento falacioso de que “os estudantes nunca ouviram essa discussão” ou que “calouros não vão entender nada” sobre determinadas discussões .
A partir disso, achamos necessário construir uma chapa que faça essa leitura correta do momento político, e que não vacile em defender os direitos dos estudantes de letras e melhorias para o nosso curso, que está diretamente ligada com a situação que as universidades enfrentam, fruto de cortes nos governos anteriores e, principalmente, da declaração de guerra que o governo do golpista Temer declarou aos serviços públicos.

Juventude Revolução e estudantes independentes

Anexo 2 – Nota do MAIS EM 18/10

FLORIANÓPOLIS | RESPOSTA ÀS FALSAS POLÊMICAS DA JUVENTUDE REVOLUÇÃO

Na tarde desta terça-feira, 17, militantes do #MAIS que constroem o Centro Acadêmico Livre de Letras se depararam com uma nota assinada pela Juventude Revolução e estudantes independentes no grupo de formação de chapa às eleições do Centro Acadêmico Livre de Letras. Na nota, basicamente falam que recuaram em suas posições de defesa da candidatura de Lula mas que acham crucial uma chapa de Centro Acadêmico pautar defesa do estado democrático de direito, contra o estado de exceção e, em específico, perseguição política de Lula. Apontam também a Constituinte como saída alternativa política. Ainda na nota, explicam que não construirão uma chapa sem ir até essas questões e se retiram do grupo, até então, consolidado.

No dia 16 de outubro de 2017 aconteceu a terceira reunião de formação de chapa às eleições do CALL. Nesta reunião seriam elencados e aprovados os eixos e proposta inicial de programa.

Entendendo que os CAs são as entidades de base representativas dos estudantes em seus cursos, as reuniões anteriores a essa encaminharam a construção de um programa político que abrangesse discussões de conjuntura nacional mas que também fosse voltado às reivindicações dos cursos de Letras e Secretariado Executivo. Na reunião foi discutido o difícil momento que vivemos em nosso país, o grave aprofundamento do golpe, com um brusco corte de verbas da educação e demais áreas sociais, e o avanço da ultra direita e suas figuras, como Bolsonaro.

Vemos, hoje, o judiciário assumindo um caráter cada vez mais autoritário, aplicando medidas como prisões e conduções coercitivas e delações premiadas. Nesse sentido, nos colocamos contrários, desde o início, a operações jurídico-políticas, a exemplo da Lava Jato. Também somos contrários a perseguição de cunho político frente a um candidato da esquerda como Lula.

Os companheiros da Juventude Revolução acusam os presentes na reunião de não querer um Centro Acadêmico que lute contra as arbitrariedades do judiciário e que são favoráveis a prisão de Lula.

Falsa polêmica a que os companheiros criaram! Na reunião, ninguém se opôs a caracterização de que Lula é um perseguido político, apontamos, inclusive, seus direitos democráticos de se candidatar a presidência. A discussão girou em torno da necessidade de apontar ao longo de tantas linhas uma defesa de Lula e pouco se falar, de fato, das reivindicações a nível de universidade e seus cursos.

Por óbvio um Centro Acadêmico com programa eleito jamais deve se abster de discussões de conjuntura nacional. Acreditamos que nesse período difícil, as entidades estudantis e sindicais vêm sofrendo cada vez mais severos ataques, portanto, este é um momento de aglutinação e fortalecimento das mesmas, em que se preze a unidade em sua defesa e contra qualquer retirada de direitos. O que nos opomos, é essa postura da Juventude Revolução de distorcer os fatos. A única coisa que fomos contrários é em gastar três parágrafos em defesa de Lula e da Constituinte. Achamos que esse espaço deveria ser gasto também para defender pautas estudantis como acessibilidade, permanência, combate às opressões, reforma dos currículos etc.

Por isso, convidamos todos os estudantes de Letras e Secretariado Executivo a se somarem na reunião de formação de chapa que acontecerá às 12h de quarta feira (18), na sala 11 do Bloco A do CCE, na construção de um Centro Acadêmico que possa sim, discutir conjuntura nacional mas sem abandonar as pautas locais dos cursos.

Juventude MAIS – Florianópolis


Juventude Revolução, em 26/10/17

As estranhas mentiras do MAIS nas eleições do CALL da UFSC

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