Texto publicado originalmente no Jornal O Trabalho n° 818
Vitória arrasadora encerra 10 anos de hegemonia do PSOL na entidade

Nos dias 7,8 e 9 de novembro ocorreu a eleição para o DCE Livre da USP. A chapa “Nossa Voz”, composta pelo Balaio (núcleo de estudantes petistas da USP), por militantes da Juventude Revolução, do Levante Popular da Juventude e União da Juventude Socialista – foi vitoriosa com 4342 votos (65%). A atual gestão (Chapa “Pode chegar e não para”) obteve 1520 votos. Mais quatro chapas participaram do processo, “Primavera nos dentes” (MRT, 229 votos), “Embarca na Luta” (PSTU,144 votos), “Abstenção” (PSL/ Livres, 238 votos) e Território Livre (MNN,71 votos).

A vitória de “Nossa Voz” encerra um período de 10 anos de hegemonia do PSOL no DCE. A atual gestão, composta pelos agrupamentos do PSOL (Juntos, Rua, Mais e CST) e UJC (do PCB), principalmente no último período, não deu as respostas necessárias ao momento político.

O DCE da USP tem tradição na luta pela democracia, ele foi reconstruído em 1976 no bojo do combate à ditadura militar. Seu nome, Alexandre Vanucchi é uma homenagem ao estudante assassinado pela ditadura. Apesar desta tradição, a entidade, dirigida por setores que inclusive faziam coro à perseguição ao PT, em nome do combate à corrupção, esteve praticamente ausente da luta contra o golpe de 2016 e do dia a dia dos estudantes, levando o DCE à paralisia. Era o que se ouvia nas conversas com os estudantes durante a campanha e nos dias da votação.

A Chapa Nossa Voz, através da construção com diversos centros acadêmicos, campis e estudantes de vários cursos, conseguiu apresentar um projeto concreto para os estudantes, para retirar o DCE da paralisia. É preciso enfrentar os desafios que estão colocados para o próximo período, como a política de teto de gastos do atual reitor Zago e, agora, Vahan (novo reitor escolhido por Alckmin), a luta contra os cortes na assistência estudantil – ainda mais no cenário que foi aprovado as cotas na universidade –, por uma universidade pública, gratuita e de qualidade. A chapa ainda expressou sua posição de defesa do direito de Lula ser candidato e o repúdio à operação Lava Jato, operação fartamente elogiada pelo Juntos/ Mes (ligado à Luciana Genro).

Identificação com o PT ganhou votos
Durante a campanha a atual gestão atacava a chapa Nossa Voz “denunciando” aos estudantes: “essa é a chapa do PT!”, pretendendo surfar na onda direitista anti-PT. O tiro saiu pela culatra. Para a maioria dos eleitores não só tal “denúncia” não retirou voto da chapa, como em diversos casos ajudou a conquistar o voto de estudantes que entendem o papel fundamental do PT na atual situação política do país.

Durante a apuração, centenas de membros da chapa comemoram com palavras de ordem em defesa de Lula (e de sua candidatura), do PT, e dos companheiros que são presos ou condenados políticos (Dirceu, Vaccari e Delubio). Também expressaram sua solidariedade à Venezuela e ao governo Maduro contra o Imperialismo.

Essa nova gestão terá muitos desafios, ainda mais num ano como 2018, quando a USP estará ameaçada pelo teto de gastos e deve se acirrar o debate sobre a campanha presidencial entre os estudantes, que será importante para construir uma saída política para a situação do país que possa fazer a juventude voltar a enxergar a possibilidade de um futuro digno.

Wesley Rage

“Nossa Voz” vence eleições do DCE da USP
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