Entre os principais estados do país, o Rio de Janeiro encontra-se em fragilidade para combater o novo Coronavírus. Anos de política de sucateamento dos serviços públicos do estado, através de privatizações, entrega dos hospitais às OS (Organizações Sociais), geram um grande desafio. Hoje, com a tentativa de privatização da CEDAE, a água de grande parte das casas de regiões periféricas está praticamente podre e várias comunidades estão sem abastecimento. Então como combater uma epidemia na qual sua principal prevenção subsiste em água e sabão? Muitos trabalhadores ainda não dispensados de seus serviços ameaçados de contaminação, em especial nas fábricas; os estudantes sem aulas observam alarmados a proposta do secretário de educação de que o calendário seja “resolvido” com parte pelo EaD. Quem, de fato, possui condições para estudar dessa forma? Empresas ameaçam demissão em massa; jovens que trabalham como autônomos nos trens do Rio, nas barcas, nas ruas, trabalhando como Uber e tendo nenhum tipo de direito ou assistência, veem desolados seu horizonte – resultado da reforma trabalhista, na qual a juventude foi cruelmente atacada aumentando desemprego.


Mas por que Rio de Janeiro, em especial, e o Brasil, em geral, estão em uma situação tão complicada para proteger a população e combater a pandemia? 


Primeiramente, o governo autoritário de Bolsonaro, a partir de sua negligência e bizarrice por natureza, brinca com a vida do povo. Fantasiando e iludindo, Guedes, escudeiro do mercado financeiro, já fala em mais retiradas de direitos dos trabalhadores e prepara demissões e reduções de salários. No horizonte dramático que nos espera, também a Lava-Jato possui seu grau de responsabilidade quando operou e ainda opera no sentido de destruir setores importantes da indústria do Rio de Janeiro e nacional, abusando dos processos de investigação ao ponto de transformá-los em guerra aos interesses do povo brasileiro. Afundado em uma crise fiscal, herdada da época da ditadura, agravada com o governo Pezão e potencializada com a intervenção militar, o Rio de Janeiro foi se afogando em dívidas e mais dívidas. Witzel Estuda a possibilidade da não cobrança, por 60 dias, das contas de água, luz, gás e telefone. Segundo o governador, a CEDAE tem dinheiro em caixa para ficar sem os pagamentos – a mesma que o próprio diz estar falida e precisa ser privatizada.

 Em estado de emergência, o Rio de Janeiro passou de 33 casos do vírus para 109. Com todos os problemas de saneamento básico que o estado enfrenta, os esgotos a céu aberto que vemos nas vielas e guetos do Rio, a situação é preocupante. Em um momento onde a quarentena é a medida usada para precaução, para que se possa conter aumento da pandemia, jovens e mais jovens estão no mercado de trabalho informal, para garantir o sustento de suas famílias, vão às ruas vender produtos, trabalham de entregadores e motoristas em aplicativos, enfrentando a possibilidade de infecção. Mas existe saída para a crise!

Em primeiro lugar, para combater a pandemia no Brasil, é necessária a revogação da EC95 que congelou investimentos em serviços públicos por 20 anos, para que assim possamos equipar os postos de saúde e hospitais, além de investir em pesquisas e em servidores. No Rio de Janeiro é necessário o fim do acordo Temer-Pezão, que afoga o estado em dívidas e destrói serviços públicos de ampla necessidade do povo. 

Nosso presente não é um acaso, mas sim o resultado de um projeto; as medidas impostas desde o golpe de 2016 conseguiram, em quatro anos, rebaixar o Brasil ainda mais a um reles vassalo dos interesses mais espúrios da classe dominante internacional. Se a COVID-19 não é propriamente fruto disso, a devastação severa que causará à população é um dos seus sintomas mórbidos.

O povo brasileiro está sendo brutalmente atacado por duas pestes: uma sendo imposta por parasitas e a outra espalhada pelo virus Corona. Nós possuímos apenas a organização e a luta como armas. Neste momento, é necessário que o Partido dos Trabalhadores lidere a luta do povo: pelo fim do governo Bolsonaro, fim do arrocho fiscal no Rio de Janeiro, revogação das Reformas parasitas e fortalecimento do SUS! 


Coordenação Estadual RJ da Juventude Revolução do PT

O Rio sob duas Pestes

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