Em 2016 mais de 62.500 pessoas foram assassinadas no Brasil, destas 33.590 eram jovens entre 15 e 29 anos de idade, mais da metade. Entre os jovens negros, a chance de ser assassinado é 2,7 vezes maior que a de não negros, sendo que 76,2% dos assassinados pela polícia são negros (Atlas da Violência, 2018). Diante desta realidade, um questionamento é essencial: são os jovens, sobretudo os negros, os principais responsáveis pela violência no Brasil? Definitivamente, não.

Então, porque devem ser os maiores penalizados?
Volta a ser proposta a redução da maioridade penal como “solução” para o problema da violência, justamente em um cenário de grande desemprego, principalmente entre os jovens, precarização da educação e demais serviços públicos com o congelamento dos investimentos por 20 anos, aprovado e apoiado pelos golpistas (Temer, Bolsonaro, Moro e o comboio, que também querem a redução da maioridade penal), querem aprovar a reforma da previdência para acabar com o nosso direito à aposentadoria em um verdadeiro complô contra os direitos da juventude.

Já destroem as nossas vidas com as drogas que circulam na periferia e com a violência cometida, sobretudo pela polícia militarizada, na qual os soldados são condicionados a ver os jovens negros como inimigos da sociedade e também são vitimados pela violência decorrente da enorme desigualdade socio-racial existente no Brasil. Agora, Bolsonaro quer condecorar o policial que matar, essa é a solução para a violência no país que tem uma das polícias que mais mata e mais morre no planeta? A intervenção militar no RJ é a prova de que a violência não é a saída para combater a criminalidade, seu saldo entre terror e mortes é desastroso. Caminham juntas a destruição dos direitos da juventude e o aumento da repressão. O que tanto a juventude quanto os policiais precisam é de direitos e condições dignas de vida e trabalho e não de estímulo à guerra do povo contra o povo.

Prender para resolver o quê?

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