As reações aos rolezinhos que se iniciaram com a juventude pobre, negra e da periferia de SP escancararam o racismo que existe no Brasil, colocaram em cheque o direito de ir e vir, mostrando que há segregação social e racial no país e reforçam a necessidade de desmilitarização da PM e a necessidade de locais públicos seguros de lazer para juventude.

A juventude das periferias encontrou para diversão os shoppings, que acabam sendo um dos poucos lugares seguros para organizar atividades recreativas, para passear, encontrar os amigos etc. Há também a componente cultural dos jovens que marcaram os rolezinhos, ligados ao “funk ostentação” que preferem ir a shoppings, porque são os locais onde podem comprar os produtos que querem exibir.

O fato é que, além de nos bairros de periferia não existir em quantidade suficiente praças, quadras de esportes, espaços públicos seguros de lazer, os jovens da periferia tem que ter direito de se divertir aonde quiserem. Nas periferias, os poucos locais de lazer que existem, como praças ou parques, estão, muitas vezes dominados pelo tráfico.

A Polícia militarizada pela Ditadura desde 1969, trata os jovens da periferia como se fosse o inimigo. Atira primeiro e pergunta depois, como no caso do Douglas em São Paulo ou tantos outros.

Os policiais em bairros periféricos tem carta branca para espancar e executar, mas em lugares públicos frequentados pela burguesia que não está “acostumada” com essa atitude a não ser pelos meios de comunicação (muitas vezes aplaudindo os policiais) a polícia não costuma, ou pelo menos não costumava fazer o que quiser.

Assim, bastou que os jovens da periferia adentrassem em massa os shoppings ameaçando se misturar com uma população preconceituosa que não quer esse “convívio”, para uma reação imediata da burguesia, do PSDB e outros partido de direita, exigindo que a repressão policial fossem até os shoppings pra bater em todos esses jovens com a tosca desculpa de que a galera do rolezinho estivesse ali pra fazer arrastões, roubar, etc.

Alguns shoppings chegaram inclusive a conseguir liminar da justiça, impedindo os jovens de entrar, num claro ataque ao direito de ir e vir, baseado na discriminação.

Os rolezinhos até agora, não são um movimento reivindicativo, mesmo se demonstram a ausência de espaços públicos de lazer e se põem a nu o racismo no Brasil e toda a segregação social que existe. São, na sua origem, um movimento da juventude que quer se divertir e não encontra lugar, ou simplesmente que quer se divertir aonde bem entender, e nesse processo, trouxe à tona todos esses aspectos e questões politicas.

De nossa parte defendemos incondicionalmente o direito da juventude a se divertir nos shoppings ou em qualquer outro lugar! Lutamos contra o racismo e à segregação! E chamamos todo jovem a se organizar para lutar contra o racismo, e exigir dos poderes públicos mais espaços públicos e seguros de lazer e pela urgente desmilitarização da PM!

Conselho Nacional da Juventude Revolução

Nota da JR – Rolezinhos escancaram racismo no Brasil!