“A luta pela desocupação se insere na união dos povos contra as forças imperialistas”

O Senador haitiano Jean Charles Moise, esteve no Brasil nos dias 19 a 22 de maio, às vésperas de se completar 10 anos de ocupação do Hiati. O objetivo da visita era avançar na exigência da retirada das tropas da ONU que subjugam o povo daquele país.

“Em 2004, as tropas foram enviadas com a promessa de estabilizar o país por seis meses. A situação melhorou? Não, pelo contrário, piorou. (…) O Haiti não está em guerra com outro país e não está em guerra civil. A luta pela desocupação se insere na união dos povos contra as forças imperialistas. Seria melhor enviar tratores que tanques de guerra. Em nome de uma suposta desordem, a presença das tropas garante a exploração de nossas riquezas naturais pelas oligarquias e pelos monopólios multinacionais. Retiram o direito do povo à  autodeterminação, o direito de ter um país independente e soberano”. — disse o haitiano.

Moise é o autor de uma resolução aprovada por unanimidade pelo Senado haitiano pedindo a retirada, até 28 de maio de 2014, da missão comandada pelo Brasil e que está no Haiti desde junho de 2004, após a deposição do presidente Aristides, orquestrada pelos EUA.

Em Brasília, Moise visitou o Senado e foi recebido por três senadores da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa: a presidente, Ana Rita (PT-ES), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Wellington Dias (PT-PI).  que decidiram “pedir que o Brasil lidere os países latino-americanos na retirada”, embora ainda sem estabelecer prazo. O senador também audiência com o ministro da Defesa Celso Amorim. Também foi decidido constituir uma comissão de senadores para averiguar as condições dos haitianos imigrantes em São Paulo.

Já na Câmara dos deputados, houve uma Audiência Pública por iniciativa dos deputados federais Fernando Ferro (PT/PE) e Renato Simões (PT/SP). Ferro declarou que “a presença militar do Brasil no Haiti preocupa. O governo deve adotar uma postura de transição para a retirada das tropas”. O deputado Renato Simões (PT-SP) completou: “devemos trazer para o Congresso essa discussão de estabelecer um prazo de retirada das tropas brasileiras”.

Moise recebe homenagem na Câmara de São Paulo

Por iniciativa iniciativa da vereadora Juliana Cardoso (PT), o senador recebeu um título de cidadão paulistano. Organizada em conjunto com o Comitê Defender o Haiti é Defender a Nós Mesmos, a sessão se constituiu num ato pela Retirada das Tropas da ONU do Haiti, parte da Jornada Continental pelo fim da ocupação militar daquele país.

Além da vereadora Juliana, compuseram a mesa os deputados do PT Adriano Diogo (estadual) e Renato Simões (federal); os vereadores do PT José Américo Dias, presidente da Câmara e Paulo Fiorilo,  presidente do Diretório Municipal do PT-SP; João B. Gomes, pela CUT; Milton Barbosa pelo Movimento Negro Unificado e Flavio Jorge, pela CONEN; Erik Bouzan, Juventude do PT e Luã Cupollillo da Juventude Revolução; Markus Sokol, membro do Diretório Nacional do PT; Gegê, da Central de Movimentos Populares e Cleiton Gomes, diretor do Sindicato dos professores Municipais de SP;  Antonio Pinto e Catia Silva representaram a Secretaria pela Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo.

Uma expressiva delegação de imigrantes haitianos esteve presente. Moise havia realizado uma visita ao precário alojamento, onde centenas de haitianos estão abrigados em condições precários, tendo vindo para o Brasil por não ter perspectivas em seu país.

Luã Cupolillo, representando a JR, reafirmou nosso compromisso em se manter nessa luta, a qual desenvolvemos desde que foi anunciado pelo governo Lula o envio das tropas brasileiras.

Para a Juventude Revolução é necessário lutar pelo fim da ocupação. O que as tropas brasileiras fazem no Haiti se repete nas periferias brasileiras, com a PM e o próprio exército. Mais do que nunca defender o Haiti é defender a nós mesmos!

Senador Haitiano vem ao Brasil pedir a retirada das tropas de seu país