Os núcleos da Juventude Revolução começam a preparar na base a Plenária Nacional da JR que acontecerá nos dias 21 e 22 de setembro em Brasília, que reunirá representantes dos núcleos de todo o país e será precedida por diversas plenárias estaduais.

A Plenária da JR acontece de 2 em 2 anos, intercalada com o nosso encontro nacional e terá a tarefa de discutir a luta da juventude e dos trabalhadores nessa nova situação aberta pelas mobilizações.

Nos próximos dias, até a plenária,o site da JR estará aberto para a contribuição dos militantes sobre as  mais diversas questões, que serão pautadas na nossa plenária e que publicaremos aqui, na Tribuna de Debates, que abre com o texto enviado pelo camarada Edielson Moreira, do núcleo de Salvador – BA e membro do Conselho Nacional da JR. Os militantes estão convidados a enviar suas contribuições e organizar a discussão nos núcleos dos textos publicados aqui.

————————————————————-

Para atender as demandas, Dilma: Plebiscito por uma CONSTITUINTE!

Milhões foram as ruas, em manifestações protagonizadas pelos jovens, como não se via desde o fora Collor. Eles exigiram a redução da tarifa e o passe livre, além de reivindicar melhores condições na saúde, educação, moradia entre outros, afinal é um tapa na cara da população ver um estádio de ponta sendo construído em três anos enquanto postos de saúde, escolas e moradias passam longe de atender as demandas da população.

Como resultado, ficou claro que há uma grande distância entre as demandas do povo e o congresso nacional. Essas manifestações abalaram as instituições de tal forma, que a presidente Dilma chegou a dar um passo a frente e propôs um plebiscito para convocar uma assembleia constituinte exclusiva sobre a reforma política, ou seja, dar palavra ao povo para reformar as instituições.

Porém, em menos de 24 horas a presidente recuou cedendo às pressões do seu Vice presidente, Michel  Temer e sua “base aliada” do PMDB e das instituições, como o STF na figura de Joaquim Barbosa.
O recuo foi para um plebiscito para uma reforma política, e não para uma constituinte, que é diferente, uma vez que para uma constituinte iriam ser eleitos novos deputados pra reformar essas instituições que não dão conta de atender os anseios da população. Afinal, como confiar no STF que revalidou a lei de anistia deixando impunes os assassinos da ditadura? Ou mesmo acreditar que esse congresso vai se auto reformar e retirar seus próprios privilégios? O mesmo congresso que há 18 anos não vota uma lei contra o trabalho escravo?

Às vozes que vem da rua são contraditórios com as instituições, heranças diretas da ditadura militar. Dilma deve atender as reivindicações da juventude e dos trabalhadores. É preciso romper com o superavit primário, destinado ao pagamento de juros da divida e ampliar as verbas públicas para saúde e educação públicas. É preciso desmilitarizar a PM, que mata a juventude nas periferias e reprime brutalmente os manifestantes permanecendo impune. É preciso punir os crimes da ditadura. É preciso fazer a reforma agrária e atender a pauta dos trabalhadores como redução da jornada, sem redução de salário. É preciso garantir que todo jovem tenha acesso ao ensino superior, garantindo vagas para todos na educação pública!
Para ir até o fim nessas medidas é necessário que Dilma convoque sim um plebiscito, mas por uma assembleia constituinte que dê a palavra ao povo. Se Temer do PMDB é contra, que rompa com ele e o povo lhe apoiará. Só uma Constituinte soberana abrirá caminho para atender as demandas da população.  Essa constituinte deve ser diferente da constituinte de 88 em que os deputados e senadores constituintes eram constituinte de manhã e deputado à tarde. Uma nova constituinte deve eleger deputados exclusivos, sem o senado revisor, terra de “honoráveis bandidos” como Collor, Sarney etc. Deve ter votação proporcional com cada eleitor valendo um voto ( hoje um eleitor de Rondônia equivale a 11 de São Paulo), É necessário  garantir que haja financiamento público exclusivo de campanha  acabando com o financiamento privado além de implementar o voto em lista favorecendo os partidos e os programas políticos e  não os coronéis locais.. Enfim, é preciso uma reforma profunda nas instituições para abrir caminho ao atendimento das demandas do povo, para isso, é necessário dar palavra ao povo por meio de uma constituinte soberana.

Nessa Plenária da JR, que deve rearmar os militantes para lutar na situação politica que vivemos, essa questão deve estar no centro do debate. Precisamos ir ás ruas pelas nossas demandas  e exigir que Dilma dê a Palavra ao povo!

Edielson Moreira, é militante da JR em Salvador – BA e membro do Conselho Nacional.

 

Tribuna de debates: “É preciso dar a palavra ao Povo!”