Comando estudantil sai dividido e recusa ato unificado.

A greve de docentes e técnicos nas federais que já ultrapassa os 35 dias e alcança 55 instituições de ensino recebeu o amplo apoio dos estudantes, que em muitas universidades decidiram entrar em greve em solidariedade à luta dos professores, levantando suas próprias reivindicações como abertura de concurso para professores e funcionários; 1,5 bilhões para assistência estudantil; equiparação das bolsas ao salário mínimo e outras reivindicações que expressam a necessidade de modificar as condições que vivenciam os estudantes, muitas delas, consequências do REUNI (que ampliou vagas sem uma ampliação proporcional de verbas e de professores e técnicos) e dos seguidos cortes de verbas na educação.

As primeiras assembleias foram lotadas como há muito não se via, e colocaram a urgência da constituição de um comando nacional unificado de greve dos estudantes, que pudesse organizar a luta nacionalmente e apresentar ao governo uma pauta clara de reivindicações.

 A direção da UNE, mesmo se apoiou a greve desde o inicio, não convocou, como era sua responsabilidade ,o comando. Jogou a discussão para o Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG) que ocorreu entre 15 e 17 de junho. O CONEG discutiu na sua plenária de universidades federais o apoio à greve e tomou a decisão de convocar um ato para o dia 26/06 em Brasília com o objetivo de entregar a pauta de reivindicações dos estudantes ao governo e abrir as negociações. Um passo limitado, mas positivo.

No meio desse processo, entidades e comando locais convocaram a reunião para formar um comando no dia 18, que poderia ter tomado em mãos o calendário proposto pela UNE, e ser um ponto de apoio à construção da unidade nacional dos estudantes em greve, mas que se transformou no seu contrário!

Começando com a presença de 36 instituições federais, com delegados relatando o esvaziamento das assembleias para eleição do próprio comando nacional, a reunião foi totalmente aparelhada pelo PSOL e PSTU que se recusaram a se integrar ao ato proposto pela UNE com o criminoso argumento de que “não tem que exigir nada do governo Dilma” e que “unificar os atos seria dar palanque a direção majoritária da UNE” e decidindo por ocupações nas universidades e atos nos estados, ações isoladas e inexequíveis que contornam o problema da exigência à Dilma. Numa linha oposta a da construção da unidade, esses setores ainda impuseram como bandeira da greve a palavra de ordem “chega de REUNI” fazendo do balanço do REUNI uma condição a participação no comando, o que levou alguns representantes de comandos a abandonarem a reunião, por discordância do balanço ou mesmo porque não haviam feito essa discussão nas suas bases.  Uma das ultimas votações emblemáticas demonstrou a fraqueza do comando “quem em fala em nome dos grevistas é comando, nem a UNE nem a ANEL” e a  reunião terminou com muitas universidades deixando o comando, sem enxergar ali um ponto de apoio real para uma saída positiva para a greve.

Essa divisão só enfraquece o movimento. É preciso que UNE mobilize os estudantes, no dia 26/06 e depois para exigir do governo o atendimento das reivindicações das federais e chame um comando de greve que assuma a tarefa de exigir e negociar com o governo as reivindicações!  Esse é o combate que deve ser feito em cada universidade.

Luã Cupolillo, é militante da JR em Juiz de Fora – MG

 

UNE convoca estudantes em greve para ato dia 26 em Brasília! É preciso unidade pelo atendimento das reivindicações!

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