Todos os anos, milhares de jovens morrem assassinados com brutal violência, sobretudo nas periferias. As vitimas são na maioria jovens negros.

O problema da violência está diariamente nos jornais do país. A burguesia pretende sempre que todos os problemas são casos de polícia e de falta de leis duras que punam criminosos. É freqüente o discurso para baixar a “maioridade penal” para 16 anos. Mas a realidade é outra.

A violência urbana está diretamente ligada ao desemprego, déficit habitacional, escolas sucateadas, falta de vagas nas universidades, falta de investimento em cultura, esporte, lazer, e em consequência o profundo racismo que se expressa na sociedade brasileira. Para a policia, o negro, ainda mais da periferia, é um bandido em potencial.

Segundo o estudo “Mapa da Violência 2012” coordenado por Julio Jacob Waiselfisz da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais,os dados são de um verdadeiro genocídio.  Só no ano de 2010 ocorreram 49.932 homicídios no Brasil, dos quais 26.854 eram jovens entre 15 e 29 anos, a maioria negros (74,6%).

A PM é responsável por grande parte das “execuções”

A Polícia, militarizada por um decreto da ditadura em 1969, é responsável por grande parte dos assassinatos de jovens nas periferias. São comuns os registros de “resistência seguida de morte” aparecerem em Boletins de Ocorrência (BO). Em recente audiência pública do Ministério Público de São Paulo, foi denunciado o fato de que grande parte das execuções é feitas com tiros nas costas, na cabeça e de joelhos. O cálculo é que a policia mata por ano entre 500 e 600 pessoas.

Reportagem recente da Caros Amigos entrevistou um policial civil responsável por investigar os grupos de extermínio instalados na PM de SP, auto denominados “caixa dois”, que na verdade são a continuidade dos esquadrões da morte da ditadura. Na reportagem o Policial constata que a matança pela policia é “cultural, institucional, vem da formação deles. Além disso, há muito incentivo dentro dos batalhões.”

Para Ivan Seixas, do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana SP), “essas coisas não ocorrem à revelia do comando. Não há interesse em investigação porque há uma politica de cima para baixo. Não conseguimos saber até que nível chega”. E, claro, praticamente nenhum policial é punido pelos crimes.

Como resolver a situação?

Em Alagoas, a Juventude Revolução realizou a 3° marcha contra as drogas e pelas reivindicações da juventude com centenas de jovens (19/09), mostrando o caminho: é preciso lutar para que o dinheiro publico seja destinado exclusivamente ao fortalecimento e desenvolvimento dos serviços públicos e cobrar dos governos educação, emprego, saúde e lazer para a juventude.

É preciso fortalecer o combate ao genocídio da juventude negra, da juventude nas periferias! Por isso nesse 20 de novembro, dia da consciência negra, levantamos nossas bandeiras e exigimos do governo nossas reivindicações:

– Basta de genocídio à Juventude Negra! Abaixo o racismo!

– Desmilitarização da policia já! Herança maldita da ditadura!

– Não as drogas! A Juventude precisa de educação, emprego, diversão e arte!

– Construção de centros culturais! Mais verba para educação! Passe Livre já!

Conselho Nacional da JR

20 de novembro: abaixo o genocídio da juventude negra