Ampla unidade para derrotar o impeachment

O congresso mais reacionário desde 1964, eleito pelos milhões do financiamento empresarial, deu prosseguimento ao golpe através da votação de impeachment no último domingo.

Foi um show de horrores revoltante: Jair Bolsonaro (PSC) votou “sim” em “homenagem” a Alberto Brilhante Ustra, o torturador de Dilma no regime militar; Marco Feliciano (PSC) votou “sim”, o mesmo que quis reduzir a idade penal e agora persegue a União Nacional dos Estudantes (UNE); Dilceu Sperafico (PP) votou “sim”, o mesmo que quer reduzir a idade mínima do trabalho para 14 anos! E outros tantos votaram sim, como Paulo Maluf, falando em nome do combate a corrupção, em uma sessão presidida por nada mais nada menos que Eduardo Cunha, o gangster que comanda o congresso.

Os 367 bandidos golpistas que votaram “sim”, para derrubar um governo legitimamente eleito, que não cometeu crime de responsabilidade, são os mesmos que querem a destruição dos direitos da juventude e dos trabalhadores. A cena demonstrou a podridão das instituições brasileiras, o que exige uma reforma política através de uma constituinte.

Eles tiveram o apoio do esquerdismo (PSTU, PCB, MES-PSOL), que, de costas para a mobilização de massas contra o golpe, tentam dividir o movimento da juventude e dos trabalhadores, defendendo novas eleições, o que hoje é uma forma envergonhada de apoiar o golpe.

O golpe em curso foi preparado no Poder Judiciário, através da Operação Lava Jato, conduzida por Sérgio Moro, o tucano travestido de juiz, ensinado pelo imperialismo dos EUA, verdadeiro maestro do golpe.. Por trás da retórica contra a corrupção estão as condenações sem provas, os abusos de autoridade (que hoje acertam dirigentes do PT e amanhã podem se voltar contra qualquer um), o ataque à indústria nacional, que levou a milhares de demissões, com objetivo de vender o país às multinacionais; além do ataque à Petrobras, patrimônio nacional, sobre o qual o capital financeiro quer botar as garras.

O objetivo deste golpe é destituir o governo Dilma e avançar sobre as organizações populares que são um obstáculo para que os capitalistas consigam arrancar nossas conquistas e direitos.

“Não vai ter golpe! Vai ter cultura, educação, saúde, emprego, direitos!”

Mas a luta não está perdida. Ela continua! A juventude e os trabalhadores estão de pé, firmes no combate! Ainda temos muitas batalhas pela frente, a votação da bandidagem da Câmara não esfriará a luta da juventude!

Agora, o impeachment segue ao Senado. Caso os senadores admitam o processo de impeachment, Dilma será afastada; caso eles rejeitem, o processo é arquivado. Sobre isso, uma lição do que ocorreu na câmara se impõe. Não podemos apostar que os acordos de bastidores com setores da burguesia serão capazes de frear o golpe. A única coisa que pode barrar o golpe é a mobilização popular. Uma mobilização capaz de atemorizar os lacaios da burguesia no Senado.

A juventude que foi às ruas contra o golpe é a mesma que, em 2015, exigiu uma nova política econômica do governo, com o fim do ajuste fiscal e dos cortes na educação. Essa juventude quer o pré-sal pra a educação, quer mais escolas públicas, emprego, cultura e lazer!

Dilma ainda tem a caneta na mão e deve atender as reivindicações da juventude, rejeitando qualquer pacto com os golpistas, que inclusive estiveram dentro do governo (PMDB, PP, PR, PRB) durante vários anos, a exemplo do vice-presidente Michel Temer que foi o primeiro a se levantar contra a Constituinte do sistema político em 2013.

Está certa Carina Vitral, presidente da UNE, quando afirmou na Frente Brasil Popular, que a UNE irá convocar um dia nacional de paralisação. É esse o caminho que as entidades estudantis (UNE, UBES) devem seguir: assumir toda sua responsabilidade nesse cenário, ajudando a construir, ao lado da CUT e outras organizações como o MST, MTST, CMP etc. uma luta rumo a greve geral.

De nossa parte, Juventude Revolução, nos engajaremos nessa paralisação. Isso significa mobilizar na base, convocando plenárias, assembleias e atividades culturais contra o golpe! É hora de espalhar as dezenas de comitês já formados nas escolas, universidades e bairros!

A JR esteve nessas manifestações e continua firme na luta contra o golpe e em defesa dos direitos da juventude! Não aceitamos o golpe e temos confiança de que o povo não aceitará um eventual governo Temer, produto de um golpe! Neste caminho, convidamos cada jovem a lutar conosco! Organize-se!

Conselho Nacional da Juventude Revolução

20/04/2016

Continuar a luta da juventude contra o golpe!