Desde que a EBSERH foi criada, foram anos de campanha e chantagens expondo os problemas de funcionamento, fechamento de leitos ou alas inteiras nos HU’s de todo Brasil como forma de evidenciar que a Empresa supostamente seria a única solução. Na UFSC, não foi diferente. Por outro lado, muita luta foi construída por estudantes, TAE’s e professores através de debates, panfletagens no RU, atos e outras formas de mobilização. Apesar disto, na última terça-feira (01/12), foi aprovada a adesão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares na nossa Universidade.

Na tentativa de evitar a aprovação a toque de caixa como aconteceu em muitos estados, em outubro do ano passado os estudantes pressionaram o Conselho Universitário a realizar sete debates institucionais e uma consulta pública com estudantes, técnico-administrativos e professores a fim de ampliar a discussão e saber a opinião da comunidade universitária. Em abril de 2015, a resposta das urnas foi um contundente NÃO, com 70% dos votos contrários a adesão. Engrossando o caldo, as associações comunitárias do entorno da UFSC também declararam sua posição contrária à empresa. Resultados esses que foram totalmente ignorados pelos conselheiros que tomaram a decisão.

Escancarando a contradição no seu posicionamento em relação ao mandato que recebeu, a reitora, RoselaneNeckel (que inclusive votou favorável a empresa), se apoiou na justificativa de “garantir a segurança de todos” e em um ato de covardia levou a última reunião do conselho para dentro do Centro de Treinamento da Polícia Militar para evitar qualquer manifestação dos estudantes, procedimento que não aconteceu nem durante os anos da ditadura militar. Dos 67 integrantes do CUn, 30 não compareceram. A votação ocorreu mesmo na ausência dos professores responsáveis por apresentar os pareceres e resultou em 35 votos a 2.

Isso tudo com o apoio da gestão “Por toda a UFSC” do DCE, que corroborou para que a decisão acontecesse fora do campus e utilizou suas cadeiras no conselho para votar contra o interesse da maioria dos estudantes manifestado no plebiscito.

O cenário nacional já mostrou que a EBSERH, além de ser uma falsa solução para a saúde pública no país, abre portas para privatizações e fere a autonomia universitária. Nos hospitais que aderiram, os problemas de gestão, desvio de verbas e falta de materiais essenciais para o funcionamento do hospital são frequentes. Não à toa algumas universidades já se arrependeram da decisão, mas não podem reverter seu contrato tão facilmente. O HU da Federal de Santa Catarina estava entre os três últimos que ainda resistiam ao modelo da EBSERH.

Repudiamos a forma truculenta e antidemocrática em que a decisão aconteceu na UFSC. Seguimos na luta por HUs 100% SUS e público em que se respeite a autonomia universitária e toda a comunidade a quem o hospital atende e pertence.

Lúcia Dal Corso, militante da Juventude Revolução em Florianópolis e diretora da UCE

EBSERH é aprovada na UFSC com presença da PM!