Todos os dias, uma massa de estudantes e trabalhadores se espremem e se empurram para ir de casa para o serviço ou para a faculdade nos trens e metrôs da região metropolitana de São Paulo. Depois de trabalhar o dia inteiro, se apertam um pouco mais na volta pra casa. Quando a porta do vagão abre, o empurra-empurra e a correria para conquistar um espacinho. Para as mulheres, a situação é pior, pois muitos se aproveitam desse aperto para cometer abusos sexuais. Cotidianamente, na Sé, a principal estação do metrô, é possível ver dezenas de pessoas que literalmente desistiram e sentam pelo chão, esperando a plataforma ficar menos cheia.

Metrô lotado na estação da Sé

Na linha vermelha, a média em 2010 era de 10,9 passageiros a cada metro quadrado nos vagões.

Toda essa sobrecarga se deve porque a extensão do metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) é ridícula, em relação à área e a ocupação da região metropolitana de São Paulo. Por isso, as poucas linhas atendem muitos bairros e cidades, as pessoas moram longe do centro e não têm alternativa. Um exemplo: Guarulhos, a segunda cidade mais populosa do Estado, conurbada com a capital, não tem sequer uma estação de metrô ou trem.

Por isso, causa ainda mais revolta a denúncia de superfaturamento das obras e propina para funcionários dos seguidos governos do PSDB e os dirigentes das empresas do Metrô e da CPTM. São no mínimo R$ 557 milhões que poderiam ter sido investidos no transporte coletivo metropolitano, de acordo com o depoimento de uma das empresas quadrilheiras (a Siemens), mas não se pode duvidar que tenham sido mais.

Desde que começou a ser construída, em 1968, há 45 anos, a malha do metrô alcançou 74,2 quilômetros de extensão. Segundo a BBC, o metrô de Seul, na Coreia do Sul, foi inaugurado no mesmo ano que o de SP (1974) e tem 558,9 quilômetros. O metrô da Cidade do México que é da mesma época tem 226,5 quilômetros. As regiões metropolitanas das três cidades têm cerca de 20 milhões de habitante cada.

Esse atraso no metrô é um prejuízo enorme para a vida da população trabalhadora e para o povo da periferia de São Paulo, que passa em média 3 horas por dia nos ônibus e no trânsito. Mas isso parece não importar para o governo do Estado.

Alckmin age como um governante isento, falando em apuração e ressarcimento para os cofres públicos. De fato, é preciso apurar todo o esquema de corrupção, reaver o dinheiro roubado, e punir todos os criminosos. Mas quem pode acreditar que um esquema que perdurou por 20 anos, passou por três governos do PSDB (Covas, Serra e Alckmin) tenha passado despercebido pela cúpula tucana e não tenha tido seu dedo?

Ainda que, numa possibilidade remota, os governadores tucanos de fato não estejam nessa maracutaia, a responsabilidade segue sendo deles pois é sua política de privatizar, sua política de parcerias e concessões com empresas privadas que gerou todo esse esquema de superfaturamento e de propina.

São gigantes multinacionais que exploram contratos para arrancar lucros milionários. Mas essa é sua lógica e todos sabem. A Siemens ou qualquer outro empresário não assinaria um contrato com o Metrô ou CPTM porque a população depende do transporte coletivo. E sim porque terá lucros gigantescos – com ou sem quadrilha. Já o Estado deveria ter outra lógica: prezar pelas necessidades da população e investir todo o dinheiro público disponível para o transporte, como para outros direitos sociais. É uma conta simples: sem a margem de lucro do investimento que uma empresa contratada teria, todos os recursos deveriam ir para a melhoria do serviço. Claro, se não houver altos funcionários e políticos lucrando individualmente. Transporte não deveria ser mercadoria!

Por isso, é preciso punir os corruptos, exigir a devolução do dinheiro público e por fim às concessões e contratos privados do metrô e dos trens! Queremos transporte metropolitano estatal, com investimento para ampliação das linhas e estações! Queremos Passe Livre Estudantil e a redução das passagens!

No dia 14/08, às 15h no Anhangabaú a JR se somara ao Ato “Chega e sufoco e corrupção: por um transporte público estatal de qualidade”! Convidamos a todos a se somar conosco!

– Ponto de encontro da JR às 15h na frente do do Sindicato dos Servidores Públicos municipais (SINDSEP) –  Rua da Quitanda, 162! Lute conosco!

Priscilla Chandretti, é militante da JR em SP

Em SP: transporte estatal de qualidade! Devolvam o dinheiro público!