O núcleo mato-grossense da Juventude Revolução realizou no último sábado, dia 13, um ato/debate questionando: revolução ou golpe de 64? Contando com a presença de estudantes, professores e pais, discutimos a violência presente na época, que ainda mostra resquícios na atual Polícia Militar, a falta de liberdade de expressão, o poder dos Estados Unidos no apoio à tomada do poder pelos militares e contra a luta dos trabalhadores, entre outros aspectos.

Devido à comemoração promovida pelos militares brasileiros, anunciando o golpe como o início da revolução e comemorando-o, nós nos levantamos para indagá-los: revolução para quem? Ao passo que os maiores beneficiados eram a minoria rica, o alto clero, o capitalismo norte-americano e as forças armadas, não cabe aos opressores anunciar o atentado à democracia como uma coisa positiva. Enquanto celebram fervorosamente a data, as famílias dos desaparecidos não encontraram consolo e os torturados têm sequelas, físicas e psicológicas, dos torturadores que continuam impunes. Assim, fica claro que o golpe foi o começo, mas não de uma era de otimismo para o Brasil, e sim de um começo sombrio, opressivo, assustador e tirano.

Nós, da Juventude Revolução de Cuiabá, concordamos com unanimidade que em 1964 ocorreu apenas a criação de uma Ditadura Civil/Militar, nada além disso. O exército brasileiro, tal como o Grande Irmão de 1984, foi/é apenas antidemocrata. Repudiamos quem destine à repressão bons adjetivos. No fim, queremos a punição de todos os crimes da Ditadura e o fim do novo absolutismo militar contra os estudantes! Vamos pôr em prática o Hino do Internacional, seguindo estas sábias palavras: “protesta contra o tirano, e recusa a traição, que um povo só é bem grande se for livre sua Nação”!

Ana Luísa Ferreira, é militante da JR em Cuiabá – MT

Jovens em Mato Grosso debatem a ditadura militar e a luta pela punição dos crimes