Na última terça- feira (09/12) a história do jovem Thiago Vieira da Silva, de 22 anos teve um fim trágico. Seu assassinato orquestrado pela Polícia Militar possui roteiro semelhante a diversas outras execuções de jovens negros nas periferias.O morador do Jardim São Luís da Zona Sul de São Paulo foi alvejado por dez disparos da polícia. Um cinegrafista amador conseguiu registrar o momento e antes dos disparos pôde se escutar o jovem gritando por socorro. É evidente a transgressão do procedimento padrão de abordagem por parte dos policiais que deveriam se limitar a dois disparos, caso o jovem estivesse armado.

É mais um caso marcado por contradições: a PM e a Secretaria de Segurança Pública do estado dizem que houve troca de tiros, mas no local só há marcas de balas do lado onde se encontrava Thiago. Registraram em sua posse uma arma e na mesma operação uma pessoa foi presa portando uma quantidade significativa de drogas. Em meio a tantas interrogações é valido lembrar que é de praxe a implantação de provas após as execuções respaldadas pelos chamados autos de resistência.

Com a recém finalização do relatório da Comissão da Verdade é hora de insistir na revogação da lei da anistia, mas também é preciso travar uma discussão nacional sobre o papel da Polícia Militar que é uma das heranças mais imundas da Ditadura Militar. Os torturadores e assassinos agora com novos uniformes continuam fazendo um banho de sangue por onde passam. E estamos todos vulneráveis como expressa o Rapper Eduardo, em sua nova música, A era das chacinas, “Depois das 10 todo excluído, vira alvo vivo. Candidato aos clá – clá – bum e velório coletivo”.

O caso da morte do jovem deve ser averiguado, e o vídeo amador é um elemento chave para que se possa concretizar a punição dos responsáveis. É importante salientar o relato de moradores sobre a ida de policiais na comunidade no dia seguinte numa busca forçada a celulares com registros do acontecimento. Para que mais casos como este sejam evitados é preciso a desmilitarização da PM, só assim é possível a existência de uma Instituição que de fato proteja a população.

CNJR

Mais um jovem morto pela PM! Até quando?!