Nos reunimos nos dias 1 a 4 de maio de 2014 em Brasília, num encontro totalmente auto financiado pela luta de seus militantes, sem aceitar dinheiro de ONGs, Empresas e Igrejas, porque acreditamos que é preciso ter independência financeira para ter independência política. E fizemos um livre debate sobre a situação da juventude, que queremos dividir com cada jovem brasileiro.

Queremos mudanças!

Estamos cansados de estudar em escolas que estão caindo aos pedaços, e de sermos espremidos todo dia no busão ou no metrô.
Não admitimos a ação irresponsável da PM, que na periferia não hesita em apertar o gatilho em direção aos jovens, principalmente negros.
A educação pública está sucateada. Como explicou uma companheira “minha escola, que tem capacidade para 800 estudantes, tem pelo menos 2 mil e laboratórios e bibliotecas viraram salas de aula”. Os professores tem baixos salários,não há vagas para todos nas universidades públicas e nas periferias faltam espaços de lazer para a juventude, que é empurrada para a droga e para o tráfico, que mata e aliena.
Os empregos que nos oferecem são precários. Somos empurrados à exploração dos estágios, empregos de telemarketing, lojas nos grandes centros comerciais e bicos sem nenhuma garantia de estabilidade e direito trabalhista.
E esse é o futuro que o sistema capitalista, baseado na propriedade privada e na exploração do homem pelo homem, tem a nos oferecer em todo o mundo.
Pois nós ousamos dizer: Não aceitamos!
E as manifestações de junho mostraram que quem luta conquista, e que precisamos de organização.

A situação no Brasil

Neste ano, em nosso país se completaram 50 anos do golpe militar. Golpe patrocinado pelo Imperialismo dos EUA, que atacou no passado e ataca agora, pois sua sede pela pilhagem dos povos é incontrolável.
Como explicou no debate outro camarada: “nestes 50 anos o povo brasileiro sofreu 21 anos sob o bastão direto dos militares e 29 anos com as heranças dessa ditadura que não foram varridas, como a polícia militarizada que mata nas periferias”
Por isso, consideramos que está na ordem do dia a revogação da lei da anistia que permite que os torturadores e assassinos do regime continuem andando a solta, sem nunca terem sido punidos!
É preciso desmilitarizar a PM, aprovando a PEC 51, pôr fim aos “autos de resistência” e acabar com o genocídio da juventude negra!
E também é necessário mudar com o sistema político herdado desse período.

Dar voz ao povo, constituinte já!

Em Junho passado, ficou claro que para obtermos conquistas há uma pedra no meio do caminho: as instituições políticas do país não nos representam! Governos, Judiciários e sobretudo o Congresso, não atendem os anseios do povo trabalhador e da juventude.
Como é possível que, depois de 20 anos, o Supremo Tribunal Federal tenha absolvido Collor, derrubado nas ruas? Ou que continue a negar a demarcação de terras indígenas quilombolas. Como é possível que esse congresso, cujo presidente já está a 42 anos como deputado, não consiga sequer condenar trabalho escravo para efeito de desapropriação de terra, não reduza a jornada de trabalho para 40h, não permita que se aprove os 10% do PIB para a educação pública, e onde se erguem cabeças “brilhantes” querendo a redução da maioridade penal, apresentando o encarceramento da juventude como solução para os problemas de violência pelos quais esses mesmos picaretas são os principais responsáveis.
Mas há uma explicação. O Congresso é em sua maioria formado por representantes dos donos de grandes terras e empresários, cujas campanha são financiadas por grandes empresas. Essa gente está mais interessada em encher seus cofres particulares do que atender os interesses do povo!
Precisamos acabar com esse circo que virou o “jogo politico”, onde o presidente do país precisa negociar cargos e verbas com o Congresso para governar! E nesse caminho só há uma saída! É preciso dar voz ao povo, através de uma Constituinte Soberana.
É por isso que estamos engajados na luta do plebiscito popular pela constituinte para mudar o sistema político e de 1 a 7 de setembro ajudaremos a colher milhões de votos, por uma constituinte que acabe com o financiamento empresarial de campanhas, onde 1 eleitor seja igual a um voto (hoje 1 em Roraima é igual a 11 em SP), e que acabe com o senado, esse antro reacionário de bandidos como Sarney, Renan e cia.,
Enfim que faça uma reforma política capaz de abrir caminho para as aspirações populares como mais verbas para educação, reforma agrária, reestatização do que foi privatizado, fim do superavit primário (cujo dinheiro é desviado das áreas sociais para a impagável dívida pública).
A própria Dilma, como resposta às mobilizações de Junho sugeriu um plebiscito por uma constituinte. Pois então que apoie o plebiscito popular e convoque a Constituinte!
Nesse caminho terá todo o apoio da juventude e do povo trabalhador, e conseguirá assim reunir as forças para derrotar com folga os representantes diretos do Imperialismo, inclusive nessas eleições (Aécio, Campos/Marina…)
Combater pela constituinte para dar voz ao povo. Essa é a nossa disposição. Em cada escola, universidade e bairro, no interior das entidades estudantis e sindicais, das associações, buscaremos fazer essa discussão.
Vamos defender também outras reivindicações como a ampliação de verbas para assistência estudantil, o Passe Livre, vagas para todos nas universidades públicas, verbas públicas só para o serviços públicos (e não para os interesses privados da Copa do Mundo), nos posicionaremos contra a exploração do trabalho voluntário FIFA, e em defesa da soberania nacional diante dos interesses do imperialismo e suas armadilhas.

Soberania diante do imperialismo: aqui e em todo o continente

Na Venezuela, país vizinho o Imperialismo age diretamente, tentando desestabilizar o governo para fazer retroceder as medidas positivas que os trabalhadores conquistaram nos últimos anos. Só há uma saída: romper com o Imperialismo e ir até o fim no atendimento das reivindicações do povo
No Haiti, primeiro país a abolir a escravidão no continente, o Imperialismo dos EUA quer explorar cada vez mais e por isso a ONU, sob a desculpa de uma missão de paz, patrocina uma ocupação militar, que já dura dez anos, com tropas brasileiras no comando. Um ataque à soberania de nossos irmão haitianos e uma situação vergonhosa para o povo brasileiro! Não aceitamos que essas tropas permaneçam nem mais um dia e não descansaremos enquanto não forem retiradas!

Lute conosco. Organize-se na Juventude Revolução!

Para tudo isso, nossas únicas armas são a unidade, a independência política e nossa organização. Unidade com a classe trabalhadora e unidade no interior das entidades estudantis, independência política frente a governos e patrões e organização para a luta da juventude.
Recusamos as armadilhas para a juventude: a colaboração de classes, as tentativas de nos forçar a um consenso com nossos inimigos nos conselhos e Conferências. Recusamos os “teóricos”, reproduzidos pela grande mídia, que pretendem que a juventude está cansada da política e não precisa de organização.
Neste caminho, precisamos nos tornar milhares. É para isso que convidamos cada jovem a se organizar conosco. Vamos juntos construir nossos instrumentos de luta, grêmios, CA’s, DA’s e lutar para que a UNE a UBES estejam ao lado dos estudantes. Vamos discutir com os jovens nas periferias, nos locais de trabalho.
Queremos as reivindicações emergenciais atendidas e isso não nos basta, queremos mudanças profundas, queremos sacudir tudo e dar um novo significado. Combater pelo direito a um futuro digno!

Organizar a luta para dar voz ao povo! [Manifesto do 13° ENJR]