Milhares tem manifestado no México em reação ao desaparecimento e assassinato de 46 estudantes. Cerca de 120 mil pessoas foram às ruas, no México, na última quarta (05/11). A revolta do povo explode em enormes manifestações desde o fim de setembro, por um ato de barbárie realizado por policiais militares, junto com narcotraficantes. Foram assassinados 03 estudantes do Curso Normal, na cidade Ayotzinapa, estado de Guerrero. Mais 43 foram sequestrados no mesmo dia e estado, dessa vez na cidade de Iguala.

Segundo as autoridades, policiais municipais abriram fogo contra os estudantes e os entregaram ao cartel Guerreros Unidos.
Em busca dos estudantes seqüestrados, descobriram pelo menos 11 valas comuns com corpos de indivíduos sacrificados. Eles foram torturados, queimados vivos, destroçados para que a identificação fosse impedida. As autoridades judiciais e do governo federal dizem que não são os corpos dos alunos. Mas a população não confia no governo e quer a análise de peritos independentes da Argentina.

Crimes decorreram de repressão política
Os estudantes, filhos de camponeses pobres, costumam arrecadar dinheiro na rua, em eventos políticos, para se locomover para outros locais. Nesta ocasião, queriam  assistir à manifestação de 02 de outubro na Cidade do México.O prefeito da cidade de Iguala, pertencente ao Partido da Revolução Democrática*, ordenou a repressão aos estudantes. A polícia municipal e os narcotraficantes quiseram aterrorizar a estudantada, parar todos os protestos estudantis, ainda mais por se tratar de camponeses pobres.
A repressão excedeu tudo o que foi visto até agora no país e abriu uma crise política sem precedentes. Afinal, o povo diz que as autoridades metem sobre os corpos. Um escritório do Governo Estadual foi incendiado por manifestantes.
Ao mesmo tempo, declarações de personalidades políticas mostram até onde vai a decomposição do estado se sua relação com o tráfico. Veio à público a relação do prefeito de Iguala (PRD), com uma quadrilha de traficantes. Por sua vez, o governador foi informado da “operação”e não agiu para impedi-la, a qual foi realizada em três etapas e no curso de uma tarde e noite.
O governador acabou caindo, frente às manifestações de pais e colegas de estudantes. E o ex-prefeito de Iguala, José Luiz Abarca, foi detido depois de um mês de fuga, no dia 4/11. Mas a revolta segue.

Revolta pelo assassinato bárbaro de 46 estudantes no México!