Publicamos mais uma contribuição à tribuna de debates da Plenária Nacional da Juventude Revolução.

Nas últimas três décadas a juventude brasileira vem sendo vítima de um autêntico genocídio. Isso é o que mostra o ‘Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil’, publicado em 18/07 pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (CEBELA). O Estudo aponta que entre 1980 e 2011, houve um aumento de 326,1% de homicídios no país. A principal causa de mortes não naturais e violentas entre os jovens no Brasil é o homicídio. Em 2011 houve 52.198 homicídios no Brasil, sendo 18.436 jovens e 75% jovens negros.

A situação é muito preocupante, entre os anos 1980 e 2011, morreram no total 1.145.908 vítimas de homicídio no país, sendo 407.169 jovens! Esse é o resultado de uma política brutal de extermínio da juventude pobre, em especial a juventude negra, principal alvo desse genocídio.


A juventude é quem mais sente na pele as mazelas do capitalismo, que não aponta nenhum futuro a não ser a fome, miséria, desemprego, guerras, violência, drogas, devastação do meio ambiente, precarização da educação, saúde e transporte etc. A juventude das periferias está sendo empurradas para o abate, a falta de emprego e de perspectiva de um futuro obriga muitos a trabalhar para o tráfico, ou cometer assaltos para sobreviver e alcançar de forma fácil e rápida os ‘sonhos de consumo’ que a mídia burguesa veicula diariamente.

Um gradativo aumento de violência nos estados

Diversos estados brasileiros tiveram aumento da violência: Alagoas, Paraíba, Bahia, Goiás, Acre, Paraná, Ceará, Pará, Rio Grande do Norte e Maranhão entre outros.

O Caso mais alarmante é Maceió que apresenta 111,1 homicídios por 100mil habitantes em 2011, resultado 10 vezes superior à de São Paulo: 11,9 nesse mesmo ano. Outro aspecto assombroso na violência em Maceió é a diferença de vitimização de jovens negros que é 1800% acima de jovens brancos.

As maiores taxas de homicídio no ano de 2011 foram registradas, em Maceió, João Pessoa e Salvador, justamente na região nordeste que se transformou em um dos focos de migração do tráfico de drogas.

DROGAS X CAPITALISMO: duas faces da mesma moeda

Uma discussão inseparável ao genocídio da juventude das periferias é entender as drogas ilícitas e lícitas como um elemento de alienação, destruição física/mental, e desmobilização da juventude. É preciso entender as drogas dentro da lógica do modo de produção capitalista, já que como mercadoria, ela precisa ser vendida em grandes quantidades para gerar altos lucros. Por ano, o tráfico de drogas movimenta mais de 500 bilhões de dólares segundo dados da ONU (2005). Todo esse montante é lavado em paraísos fiscais e injetados na especulação financeira, a custa de centenas de milhares de vidas. É o nosso sangue que alimenta esse insaciável sistema vampiro!

Nem repressão, nem legalização: queremos é revolução!

A Juventude Revolução – IRJ é uma organização política. Nossa posição não é moral, nem religiosa. Nossa posição é política, destinada a defender integralmente a juventude o povo explorado e oprimido. Não aceitamos a repressão contra a juventude. Somente o pobre, em especial o pobre negro, é quem sofre com a repressão: são torturados na rua ou nos porões de delegacias, são aprisionados, e até mesmo são brutalmente assassinados por conta do tráfico. O grande traficante e toda sua corja, mantêm o seu aparato de distribuição de droga intacto, luxando e com seu sigilo bancário garantido. Como diz o ditado ‘quem pode mais chora menos’.  Se o traficante pobre vai preso ou é morto, a cúpula do tráfico trata de colocar outro no lugar rapidamente, infelizmente o desemprego cria um exército de reserva para o tráfico. Hoje em dia nas favelas, para cada jovem que morre no tráfico, há dezenas esperando na fila para ocupar a vaga. Entretanto, dizemos ao jovem usuário que ele erra. E que seu uso das drogas é uma ajuda aos inimigos políticos da juventude e dos povos.

Nosso ideal é a revolução. Nosso compromisso é com a organização da juventude por suas reivindicações, por seu futuro. Para mantermos os olhos abertos à nossa realidade, para lutar por um futuro para toda a juventude, dizemos claramente: Drogas, não obrigado. A juventude quer educação, emprego, esporte, diversão e arte!

Zazo, é militante da JR em Maceió- AL

Tribuna de debates: Genocídio contra a juventude negra. Número de homicídios cresce 326% no país!