Seis mitos sobre Israel

O que se passa no Oriente Médio? Por que os conflitos entre Israel e Palestina duram tantos anos? O que é o Estado de Israel? A Juventude Revolução do PT publica esse texto desenvolvendo 6 mitos, baseado no livro “10 mitos sobre Israel”, do judeu israelense Ilan Pappé, historiador e militante pela libertação do povo palestino. A questão palestina é um dos temas da discussão da nossa formação de verão, realizada por núcleos da JR em diversos estados! Entre em contato pra saber mais.

O que é sionismo?

O sionismo é uma política colonialista, promovida por um setor da elite judaica e pelo Estado de Israel. O sionismo tem o objetivo de desumanizar, expulsar e exterminar os povos árabes e avançar na ocupação das terras palestinas, historicamente habitadas, principalmente, por povos muçulmanos, judeus e cristãos. O sionismo privilegia os judeus e trata os palestinos como habitantes de segunda classe, estabelecendo ainda um regime de “apartheid”, ou seja, de segregação ou divisão dos povos judeus e palestinos. Ilan Pappé nos ajuda a desvendar a série de mitos fabricados pelo sionismo na tentativa de colocar em questão o direito dos palestinos sobre seu território e seguir com a sua ofensiva colonial de ocupação.

1º mito: Os judeus são os habitantes originais da Palestina.

Esse é o primeiro mito fabricado pelos sionistas para justificar a ocupação violenta do território palestino. O argumento sionista é de que os judeus são os habitantes originais da Palestina e, portanto, mereciam apoio para o seu “retorno”. Entre aspas, já que o estado de Israel narra como “retorno” o que se configura como uma ocupação colonial. Os sionistas argumentam também que os judeus que chegaram à Palestina no final do século XIX eram descendentes dos judeus expulsos pelos romanos por volta do ano 70. Segundo Ilan Pappé, estudos dizem que os povos que ocuparam o território da Palestina passaram por um milênio de miscigenações, o que demonstra que Palestina é um território ocupado por vários povos ao longo dos séculos.

O estado de Israel foi fundado em 1948, após a votação do plano da ONU de partilha da Palestina com votos contrários de países da comunidade árabe como Egito, Síria, Iêmen e Paquistão. A criação do estado de Israel foi apoiada por países imperialistas como os Estados Unidos e França, além da União Soviética, sob regime de Stálin. Algumas décadas antes, desde 1897, a elite da comunidade judaica começava a organizar os primeiros congressos sionistas. Um dos debates do congresso era a escolha de um território para a construção de um estado judeu. Entre os territórios cogitados estavam a Patagônia, Uganda, Madagascar e Palestina. A Palestina foi então escolhida como o território a ser ocupado. A ligação religiosa e espiritual que os judeus mantinham com a região facilitou a fabricação de uma narrativa que justificasse a campanha colonialista sobre o território.

2º mito: A Palestina era uma terra sem povo.

O mito de que a Palestina era uma terra sem povo corresponde ao mito de que os judeus eram um povo sem terra. “Uma terra sem povo para um povo sem terra” era o mote da campanha sionista de ocupação da Palestina. A questão é que a Palestina não tinha nada de “desértica e desabitada” como diziam. Nela havia uma civilização pré-existente onde conviviam muçulmanos, judeus e cristãos.

3º mito: Sionismo e judaísmo são a mesma coisa.

O sionismo, como explicado anteriormente, é uma política colonial. O mito que iguala sionismo e judaísmo tenta nos confundir e nos levar a conclusão de que ser antisionista é o mesmo que ser antissemita, ou seja, lutar contra a política sionista é o mesmo que discriminar os judeus. Milhares de judeus pelo mundo se levantam contra a guerra e pela libertação palestina. Isso nos mostra que não é tudo a mesma coisa. O estado de Israel promove uma guerra imperialista que nada tem a ver com os interesses dos judeus.

4º mito: Sionismo não tem relação com colonialismo.

Esse é o quarto mito. Os sionistas tentam apresentar sua política segregacionista como um movimento de libertação nacional. A verdade é que o sionismo não tem nada a ver com a libertação dos judeus, mas sim com um movimento colonialista e de extermínio do povo palestino. Após a criação de seu estado, Israel iniciou uma campanha de anexação de territórios palestinos. Abaixo há um mapa que evidencia o crescimento da parte do território histórico da Palestina (do rio Jordão ao mar Mediterrâneo) sob domínio israelense após 1948:

5º mito: Os palestinos deixaram seus lares voluntariamente.

A fundação do estado israelense, após o plano de divisão votado pela ONU em dezembro de 1947, deu início a um processo de expulsão violenta de dois terços da população palestina. Quase 1 milhão de pessoas deixaram suas casas. Esse episódio ficou conhecido como “Nakba”, que significa “catástrofe” em árabe. Após a “Nakba”, o conflito de 1967, conhecido como “guerra dos 6 dias” fez parte do desejo israelense de concluir a ocupação e a conquista do domínio do território Palestino. Foi nesse ano que Israel colocou em prática seus planos de ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

6º mito: É possível a convivência de dois estados.

Através da mediação dos Estados Unidos, Israel e a Organização de Libertação da Palestina (OLP) firmaram, em 1993, o acordo de Oslo, que reafirmava uma política de coexistência de dois Estados, com a criação de duas zonas: Gaza e Cisjordânia, governadas pela Autoridade Palestina (AP), sob vigilância de Israel. A Autoridade Palestina, órgão de governo dessas zonas em 1993, submissa aos interesses israelenses, começou a reprimir manifestações dos palestinos.

Em 2006, o Hamas venceu as eleições, derrotando a Autoridade Palestina em Gaza. Israel decreta o bloqueio total de Gaza, transformando a cidade na “maior prisão a céu aberto do mundo”. Em 15 anos, foram seis operações militares de
Israel em Gaza, destruindo infraestruturas, hospitais, escolas, e produzindo milhares de mortos

Israel promove um verdadeiro genocídio contra a Palestina. Desde o final de 2023, são quase 25 mil mortos. Metade das vítimas, quase 11 mil mortos, são crianças. O acordo fracassado de Oslo demonstrou que não é possível a convivência de dois Estados. Isto porque Israel é um Estado-apartheid, que nega o direito de retorno dos Palestinos obrigados a deixar suas casas e nega direitos aos que vivem na Palestina.

Está correto o presidente Lula que, em seu discurso na Etiópia, colocou um sinal de igual entre o genocídio na Palestina e o holocausto. O próximo passo agora é a ruptura dos acordos militares, comerciais e acadêmicos do governo brasileiro com o estado genocida de Israel! Se Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel, declarou Lula como persona non grata, nós é que declaramos Netanyahu e seu embaixador no Brasil como persona non grata, por todo o horror e a barbárie cometida contra o povo palestino!

Nos unimos à luta da juventude árabe e judaica que levanta sua voz nas ruas: “do rio ao mar, um só estado democrático!”.

Kris Mackleiny – CNJR

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