Artigo publicado na edição de número 5 do Boletim Internacional de Juventude. Veja os demais artigos.

Há alguns meses, no meio de importantes mobilizações por emprego e pelos serviços públicos, milhares de pessoas vão às ruas com as palavras de ordem: “não nos representam” e “chamam de democracia, mas não é”. Isto não é por acaso, as pessoas não acordaram de um sono profundo. Levantam-se contra o desemprego, contra a precariedade trabalhista e contra a destruição do ensino e da saúde.

O sistema capitalista quer que a classe trabalhadora e a juventude paguem pela sua crise. Tenta subsistir na base da especulação, desemprego, precariedade, exploração, fome e guerras; acelerando a destruição da economia produtiva, os postos de trabalho e os serviços públicos. Como vimos na Líbia, a OTAN, o FMI, a ONU e a UE conduzem à barbárie.

Acabamos de conhecer o contrato precário aprovado pelo governo, um contrato que pretende pagar apenas 426 euros por mês (!) aos formados no ensino superior de até 25 anos. E isto é apenas o começo.

Antes das últimas eleições, a UE e o FMI já tinham decidido o plano que o governo seguinte tinha que aplicar. Quem nos representa, se todos os partidos oficiais acatam a esse plano? Onde fica a soberania dos povos do Estado espanhol? Como podemos nos defender?

Como se isso não bastasse, a reforma da previdência nos nega, desde agora, uma pensão digna, e os líderes sindicais seguem aceitando contratos de trabalho que nos condenam à eventualidade. Participamos junto com milhares de jovens dos piquetes e manifestações contra a reforma trabalhista quando os sindicatos convocaram uma greve geral. Queríamos e queremos lutar juntos, mas os altos dirigentes, ao invés de cumprir com a vontade da grande maioria de filiados e trabalhadores, pactuam com os cortes sociais, com o Governo e a patronal nos deixando indefensos diante de seus ataques.

Nós jovens vamos brigar pelo futuro que nos negam. Faz falta uma mudança profunda e real que transforme completamente este sistema. Alguns nos prometem uma reforma que torne o capitalismo “mais humano”.

Outros apostam que os “cidadãos” tenham voz nos fóruns onde o imperialismo organiza sua política de ataque à juventude e aos trabalhadores (o FMI, G20, UE…). Outros culpam aos sindicatos pelos problemas que sofremos, ou à existência dos partidos e inclusive ao direito ao voto.

Nós afirmamos que não há solução sem derrubar este regime que para sobreviver destrói a humanidade. Que queremos acabar com as instituições que só dependem do capital, não participar delas. E nos organizar, porque aqueles contra quem lutamos estão organizados.

Que ninguém nos desvie: somos muitos os que queremos uma autêntica soberania popular, que a vontade dos nossos povos seja lei. E não adianta maquiar as instituições atuais com uma reforma da lei eleitoral, que não alteraria substancialmente o papel nem a composição das instituições atuais, que não são mais do que agências do capital internacional.

Temos que adotar um programa revolucionário que nos permita agrupar os jovens que querem mudar a situação de verdade e levantar uma organização que lute por isto em todos os âmbitos.

Queremos viver e queremos um futuro. Por isso fazemos nosso o grito dos jovens e os trabalhadores gregos: “Retirada do plano de ajuste e de todos os cortes! Fora estes governos e fora o FMI-UE!”.

Nós que lançamos esta convocatória inicial somos estudantes e jovens trabalhadores e alguns somos membros de organizações operárias.

A partir de nossa reflexão, pensamos que o programa que elaboraremos poderia adotar as seguintes reivindicações:

• Anulação dos contratos de escravidão para os jovens. Queremos condições trabalhistas dignas para a juventude, acabar com os contratos precários e equiparar os salários e direitos. “Ao trabalho igual, mesmo salário”.
• Retirada dos cortes nos serviços públicos.
• Nacionalização do sistema bancário, que permita lançar um plano de criação massiva de emprego público e de recuperação dos serviços públicos, resolver o problema de moradia com casas sob posse dos bancos, dar créditos baratos a trabalhadores, autônomos…
• Renacionalização de empresas privatizadas para garantir produção e empregos.
• Proibição e anulação de despejos.
• Revogação das reformas trabalhistas e da reforma dos convênios para acabar com a precariedade do trabalho.
• Revogação da reforma da previdência. Ruptura do Acordo Social e Econômico.
• Separação imediata das Igrejas do Estado. Nem um euro público para o clero e seus negócios.
• Ensino público, laico e gratuito. Verba pública para o ensino público. Fora bancos, empresas e outros parasitas da universidade. Abandono do chamado processo de Bolonha.
• Retirada das tropas do Afeganistão, Líbano e demais missões imperialistas! Fora a OTAN, fora as bases norte americanas.

Mas, acima de tudo nosso programa deveria apontar os meios para conseguir estas reivindicações. Uma colaboração dos trabalhadores e dos povos do Estado espanhol para:

• Que saiam do governo todos os agentes do FMI, Estados Unidos, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu.
• Bruxelas diz que para seguir com o euro e na EU temos que aceitar o plano de ajuste e engolir o que nos digam. Que fiquem com o euro. Para deter a ruína, ruptura com a União Europeia. Lutemos pela soberania das nações da Europa para levantar uma união democrática.
• Eleições para Cortes Constituintes onde os povos do Estado espanhol se coloquem livremente de acordo para exercer sua soberania. Isto inclui necessariamente a livre autodeterminação, sem a qual não pode haver unidade dos trabalhadores nem livre união dos povos, que é o que necessitamos. Abolir a Monarquia e proclamar a República.
• E sobre tudo, negativa ao pagamento da dívida com a que querem asfixiar a todos os países. La dívida não é dos povos!

Podemos incluir mais coisas e, talvez, tirar outras.
Aqui só pretendemos abrir o debate para contribuir no lançamento de um processo de organização.

Esta iniciativa não se contrapõe a outras propostas para juntar forças sobre a base da defesa das reivindicações e direitos, enfrentando o FMI-UE, defendendo a independência dos sindicatos o pela reconstrução de uma representação política fiel aos trabalhadores. Ao contrario, está aberta a toda colaboração nesse terreno.

Propomos:
• Constituir em cada cidade comitês pela construção de uma organização de jovens revolucionários.
• Preparar uma conferencia de jovens em escala estadual no primeiro semestre de 2012 que elabore um programa político independente e levante uma organização revolucionaria da juventude capaz de ajudar aos jovens a se defender e a se mobilizar com os trabalhadores, a se organizar nos sindicatos de classe (recuperando eles como arma para os trabalhadores), na universidade, nos bairros…

Esta é uma declaração pública de jovens de Madrid, Bilbao, Sevilha, Barcelona e Castellón.

Espanha: é necessário construir uma organizações de jovens revolucionários

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