Há poucos dias da realização da 3° marcha contra as drogas em Alagoas, julgamos útil republicar este artigo do camarada Zazo, um dos militantes da JR engajados na preparação da marcha que será realizada no dia 19 de setembro em Maceió e que está sendo preparada com um conjunto de debates preparatórios, passagens em sala, colagem de cartazes e muita discussão, explicando a necessidade de de se combater as drogas com o atendimento das reivindicações da juventude, para o que lutamos.

Conselho Nacional da JR

———————–

 Atualmente a juventude, sobretudo nas periferias, vive uma situação caótica, onde o capitalismo não lhes reserva nenhum futuro além de alienação, desemprego, dependência às drogas, criminalidade, cadeia e morte.

Lamentavelmente algumas organizações populares, de juventude ou dos trabalhadores defendem a legalização do uso de drogas, como se essa fosse a solução para os problemas que a juventude enfrenta. Muitas vezes até associando o uso de drogas à rebeldia juvenil. No nosso entendimento essa posição deve ser revista e não há nada de revolucionário em fumar maconha.

Não afirmamos isso sobre uma base moralista, religiosa ou de bons costumes, mas partindo da premissa que as drogas são instrumento de alienação e destruição da juventude e trabalhadores e servem para financiar o imperialismo, a indústria bélica, corrupção, lavagem de dinheiro, violência policial, e a matança de nossa juventude.

Por isso não tomamos parte nas tais marchas da maconha. Para nós, no capitalismo, as drogas exercem um papel fundamental de destruição física, mental e da vida social da classe trabalhadora, em especial a juventude.

Dessa forma o imperialismo facilita o acesso e incentiva o uso de drogas por 3 razões principais:

 1ª – O tráfico mundial de drogas é bastante lucrativo, gerando cerca de 300 a 500 bilhões de dólares anualmente, o que faz das drogas um elemento importante para salvar as economias, ainda mais nesses tempos de crise;

2ª – As drogas são eficazes para alienar a juventude, afastando-a artificialmente da realidade, da discussão política e da luta pelas suas reivindicações, sendo também um instrumento de criminalização e dissolução dos movimentos sociais (respectivamente, a exemplo do caso da USP recentemente e do Partido Panteras Negras, nos EUA, que foi destroçado pela enxurrada de drogas somadas à forte repressão policial);

3ª – O envolvimento de jovens com o uso e/ou tráfico de drogas gera um número incontável de mortes violentas, são jovens da classe trabalhadora (maior parcela negros) que não tem acesso garantido a educação, emprego entre outros direitos sociais que são as principais vitimas desse massacre.

 Acabar com a guerra as drogas? O que está por trás desse discurso?

‘De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade’, assim falou Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, e é essa cartilha que a direita brasileira até hoje segue aplicando.

Isso fica explícito no filme ‘Quebrando o Tabu’, onde o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), faz um giro pelo mundo mostrando o suposto ‘sucesso’ da ‘nova política de drogas’, nos países que descriminalizaram ou legalizaram o uso e comercialização da maconha.  Curiosamente todos esses países enfrentam a profunda crise do sistema capitalista, e seus governos fazem de tudo para impedir que trabalhadores e jovens resistam, aplicam planos de austeridade que destroem empregos e reduzem salários, mas nesse quesito teriam sido “democráticos e libertários”. Quem pode acreditar no conteúdo social desse “sucesso”?

E quem foi e quem é FHC mesmo?

Quando FHC foi presidente do Brasil, precarizou a educação, saúde, destruiu serviços públicos, empregos, privatizou dezenas de estatais tudo em nome do benefício das multinacionais e do capital estrangeiro. Daí de uma hora para outra, FHC surge preocupado com a juventude, afirmando que a ‘política proibicionista é atrasada’ e que é preciso ‘quebrar o tabu’ e legalizar. Ao nosso ver, não há ação sem intenção. A intenção de FHC é clara: ele, junto com outros inimigos da classe trabalhadora, fizeram as contas, percebendo o quanto eles podem lucrar organizando a venda legalizada da maconha.

Bill Clinton (ex-presidente do EUA), FHC, o megaespeculador George soros e tantos outros defensores da causa afirmam em uníssono que ‘a política de guerra às drogas fracassou’.Isso já virou um dos principais slogans da marcha da maconha. Como se existisse uma política de verdadeiro combate às drogas!

O que existe é uma política de repressão localizada, onde o estado só investe em armamento para a policia que utiliza o argumento de combate ao tráfico para agir violentamente nas periferias.

Nesse sentido a politica de “guerra às drogas” que deveria se chamar guerra ao povo e que camufla na realidade o genocídio da juventude negra e da periferia é, do ponto de vista do imperialismo e da burguesia, um sucesso. E certamente deve ser combatida! Mas nunca houve uma verdadeira politica de combate às drogas.

Uma verdadeira política de combate às drogas, só pode ser feita com investimento em educação, empregos, reforma agrária, saúde, lazer, saneamento, cultura, esporte etc; O estado deveria garantir condições de assistência e escoamento da produção para que o pequeno agricultor plante alimentos ao invés de plantar droga para sobreviver;

As fronteiras deveriam ser fiscalizadas de fato, os portos, as rodovias, impedindo que a droga entre no país; Seria necessário quebrar o sigilo bancário, pois anualmente bilhões são lavados e injetados na economia mundial às custas de milhares de mortes da classe trabalhadora.

 Os defensores da legalização argumentam:

Com a legalização serão cobrado impostos e o dinheiro será investido em clinicas de saúde para os usuários’.

Quem garante isso? FHC? O grande privatizador queridinho do FMI que chamou os aposentados de vagabundos? Que criou a lei que regulamenta as Organizações Sociais (OS’s) que é uma forma de privatizar a saúde no Brasil? Sinceramente não acreditamos. Nem tampouco é necessário legalizar a maconha para melhorar nossos hospitais e garantir que a população brasileira tenha um sistema de saúde de qualidade. É necessário romper com a divida e os banqueiros que sugam nossos recursos, para aplicar nos serviços públicos. Os centros de tratamento para usuários que existem em pequena quantidade não precisam de dinheiro de impostos de drogas para serem ampliados.

‘A legalização acabará com o tráfico, crime organizado e cartéis da droga e em consequência, com a repressão aos jovens na periferia’

Não concordamos! É obvio que existe uma relação muito próxima entre os cartéis das drogas com banqueiros, especuladores, policia, políticos e toda a corja que acoberta e garante que drogas e armas possam chegar nas comunidades pobres do Brasil. Afinal de contas, nas favelas não tem fábricas de armas, ou plantações de drogas. No filme quebrando o Tabu, o doutor em cinismo FHC, fala como se não existisse essa relação entre as autoridades, os cartéis da droga e traficantes dos morros. A polícia muitas vezes age como ‘reguladora de mercado’ apreendendo e liberando certas quantidades de drogas seja nas rodovias ou até nas favelas.

Mesmo que supostamente a maconha seja comercializada de forma “legal”, o tráfico não vai ‘quebrar’. Ele continuará existindo e se não vendendo prioritariamente a maconha, venderá outras drogas mais pesadas. Aliás, basta ver como funciona o comércio e produção de armas. Mais lucrativo que a droga, ele é legalizado. Isso no entanto não impede o tráfico de armas por todo o mundo, fazendo render bilhões a grandes empresários, que agem como verdadeiros abutres e lavam dinheiro para injetar no mercado “Legalizado” sem pagar impostos.

Enquanto isso os jovens da periferia continuam sendo reprimidos, com a droga legalizada ou não. A droga é apenas um meio, e bem eficiente por sinal, da destruição dos jovens na periferia pela burguesia, que quer oprimir, para continuar explorando mão de obra barata e impedindo que os jovens se organizem, resistam e lutem para mudar sua realidade.

 O tráfico continuaria existindo e outros elementos seriam criados para tentar justificar a injustificável repressão e genocídio de jovens. O único caminho para combater isso é exigindo serviços públicos, emprego, educação, saúde, lazer e acabar com policia militarizada herdada do período da ditadura, treinada para a guerra ao invés de segurança publica!

“Mas o Alcool é legalizado. Porque o álcool pode e a maconha não?”

 O álcool faz mal. Indiscutivel. “Ele faz tão mal ou mais mal que a maconha”. Pode ser. O fato é que o problema do alcoolismo no país é sério, é responsável por grande parte dos problemas de violência doméstica, por mortes em acidentes de trânsito e outros problemas. Mas nós não somos adeptos da filosofia de o que está ruim pode piorar. Não é porque o álcool é legalizado que temos que defender a legalização de mais uma droga. Qualquer um sabe que um jovem pode comprar álcool em qualquer esquina do país. E que esse fácil acesso é responsável por criar um alto numero de viciados em álcool que ainda jovens se tornam alcoólatras.

  Não somos hipócritas. Há provavelmente entre nós militantes que utilizam álcool. Esse é o resultado da contradição da sociedade em que vivemos e de anos de implantação do álcool na cultura do país. Mas não somos defensores do álcool como droga, nem ficamos vangloriando seus possíveis valores medicinais (argumento comumente utilizado pra defender o uso da maconha). Ao contrário, reconhecemos no álcool uma droga, utilizada inclusive para alienar e controlar o povo. Mas reconhecemos na maconha outra droga e não caímos no argumento tosco de que já que um é legalizado, esse ou todos devem ser.

 “A maconha não é porta de entrada para outras drogas.”

 Sabemos que o álcool e o cigarro são as portas iniciais ao uso de drogas, propiciando ao uso de outras substancias ilegais. A droga causa problemas diferentes de acordo com o meio social na qual é utilizada. Nas periferias, a maconha é a porta de entrada para outras drogas mais pesadas a exemplo do crack e cocaína. Mesmo não tendo pesquisas específicas que falem sobre isso, sabemos que a maioria dos jovens que hoje usam crack iniciaram na maconha. Fumando primeiramente a maconha, em seguida maconha misturada com crack (popularmente chamado de mesclado ou melado). Na falta da maconha (que é mais difícil de encontrar nas ruas), e pelo crack ter um forte poder de viciar, o usuário termina usando só o crack, tornando-se um escravo da droga e morrendo por conta de pequenas dividas com traficantes ou pela repressão policial. E nem é preciso dizer o estrago que o crack vem fazendo na juventude.

 Nem repressão nem Legalização! Queremos emprego, educação, diversão e arte!

 As drogas são um meio de alienar os jovens e os trabalhadores, faze-los esquecer, tentar atenuar a exploração sob a qual eles estão submetidos, quando o que precisamos é de jovens conscientes para lutar contra o sistema! E a droga é usada como desculpa para por em prática a repressão e o genocídio da juventude nas periferias, levado a cabo pela policia militarizada, herança da ditadura militar. A Juventude não precisa de drogas! O que a juventude precisa é de ver suas reivindicações atendidas. Por isso dizemos, nem repressão, nem legalização! Queremos emprego, educação diversão e arte!

 Zazo, é militante da Juventude Revolução em Alagoas e membro do CNJR

 

Juventude e trabalhadores não precisam da legalização das drogas. Eles querem emprego,educação,saúde, diversão e arte!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *