Durante os dias 24 a 28 de abril aconteceu a semana da edição do 14° Acampamento Indígena: Terra Livre, para pressionar pela demarcação imediata das terras, que podem ser ainda mais ameaçada com o prosseguimento do governo Temer e seus aliados, abrindo portas para a possível volta e aprovação da PEC 215 e total extermínio desse povo que já vem sendo atacado duramente.

Essa proposta altera a constituição do artigo 231 que assegura o direito à terra ao povo originário, proporcionando a mudança da demarcação de terras do Executivo para o Legislativo, onde os grandes inimigos dos índios se encontram – bancada ruralista, oligarquias nacionais e internacionais- representando os seus interesses. Nesse sentido o povo indígena está em alerta e lutando, como sempre esteve, dentre algumas etnias, até se colocando pelo Fora Temer.

No segundo dia de mobilização a Polícia Militar (DF) reprimiu os índios, idosos e crianças a base de muita bomba de gás, spray de pimenta e balas de borracha com a “justificativa” de ataque com o argumento de que os indígenas estavam tentando invadir o Congresso. Inaceitável! Já que todos têm o direito de se manifestar. Também falaram em “confronto” pelo fato de os índios carregarem arcos e flechas. As tropas da PM, por sua vez, estavam armadas com carros blindados, escudos, armas e ainda contava com o apoio de carros da Força Nacional. Nesse momento os manifestantes colocavam caixões fictícios perto da entrada do Congresso para simbolizar o genocídio dos povos indígenas no país feito pelo próprio Estado que comanda historicamente todo o genocídio do povo indígena.

Segundo o deputado federal João Daniel, do PT de Sergipe, que coordena o Núcleo Agrário do partido na Câmara, que acompanhou o protesto e criticou a operação da polícia, afirmou: “Era um acampamento e uma luta histórica dos povos indígenas, legítima, sem nenhuma necessidade de repressão. Ao contrário, era uma obrigação a Câmara, o Senado e o governo federal recebê-los. (…) É um momento de exceção, antidemocrático que esta Casa vive de proibição das pessoas entrarem pra fazerem qualquer manifestação. É vergonhoso”, ressalta.

A questão que se coloca, mais uma vez, é do quanto a população indígena não é representada no Congresso Nacional, não se tem uma política indígena voltada para os direitos, eles não conseguem eleger representantes de suas etnias e retirar a oligarquias e a bancada ruralista para assim poderem viver e preservarem a sua cultura, dado a todo o contexto das instituições apodrecidas do sistema político brasileiro que só a Constituinte Soberana e Exclusiva poderia dar caminho para dar voz a esse povo originário.

Ana Karina Lira, militante da JR de Ourinhos

Semana de luta indígena sofre repressão em Brasília.
Classificado como:            

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *