No dia 14 de agosto, a cidade de Volta Redonda foi surpreendida por mais um acidade na Usina Presidente Vargas – CSN -. Daniel Silvério Bragança (34 anos) teve 85% do seu corpo queimado após um curto circuito em um transformador. Sua morte retoma um debate muito importante sobre a questão da segurança dentro da própria usina. Em 26 de março de 2016, quatro trabalhadores ficaram feridos em um incêndio, onde um deles teve 70% do corpo queimado; em janeiro do mesmo ano, outro metalúrgico teve corpo queimado enquanto fazia reparos na bateria do coque; em 2015 a metalúrgica Paula Valéria morreu atropelada por uma empilhadeira e veio à óbito, assim como Francisco Xavier de Castro, de 47 anos, que foi esmagado por equipamento no setor de embalagens. Além de Daniel, em 2018, uma explosão, que assustou a cidade, deixou três metalúrgicos feridos.

Em todo esse casos há algo em comum: o trabalho na Usina é um risco à vida de todos os trabalhadores, principalmente, da juventude, grande parcela que hoje trabalha na CSN. Além do processo de terceirização dos serviços, que ajuda no aumento de acidentes na indústria, o excesso de trabalho, com cada vez menos direitos, e turnos exorbitantes, é um ataque aos trabalhadores e fator preponderante para acidentes.

Privatização é a chave do problema.
Desde sua privatização em 1993, pelo governo Itamar Franco, a CSN vem se tornando uma empresa de “moer gente”. Os direitos dos metalúrgicos diminuíram, um dos exemplos é que hoje a indústria paga o pior salário da área; a perda do turno de 6 horas, herança da greve vitoriosa, de 1988 que deixou três metalúrgicos mortos pelo exército brasileiro, foi trocada pelo turno de 8h; além do aumento do assédio dentro da usina por encarregados, chefes e etc.

À época, a defesa do governo Itamar, da necessidade da privatização, era de que a vida dos trabalhadores e da cidade melhoraria com o aumento de produção e lucros. O resultado foi ao contrário! Hoje a CSN detém grande parte de terras inutilizáveis na cidade e vem tentando fechar o hospital que antes, quando estatal, era referência no tratamento de seus funcionários, e a própria destruição de empresas que existiam dentro dela como a FEM. Isso gerou, após sua privatização, um grande processo de demissão que impactou a vida econômica de Volta Redonda. Antes da privatização, a CSN tinha por cerca de 25 mil operários, já perto do processo de ser entregue ao capital privado, o número já era de 17 mil, e cada virada de ano, como já se tornou corriqueiro na cidade, a grande chefia da usina ameaça demissões em massa para atacar os direitos trabalhistas. A privatização teve um reflexo nefasto na vida não só dos trabalhadores mas também da cidade de Volta Redonda.

Benjamin é contra todos os direitos.
Benjamin Steinbruch, banqueiro e dono da CSN, vice presidente da FIESP, e apoiador do golpe de 2016, já falou abertamente, em uma entrevista à UOL em 2014, que o Brasil precisava flexibilizar as leis trabalhistas usando o horário de almoço como um dos exemplos – onde com um argumento que chega a beirar o inacreditável – defendeu que o funcionário deva comer seu lanche com uma mão e operar as máquinas com a outra.
É esse o espírito que todo metalúrgico se vê submetido dentro da empresa. Ao mesmo tempo que, diversos trabalhadores pagam com suas vidas, trabalhando em uma das usinas mais perigosas do país, enquanto lucro da CSN só aumenta.

No primeiro trimestre deste ano, o lucro da empresa saltou para 1,5 bilhão, quando no ano anterior a empresa tinha lucrado 118 milhões no mesmo período. Ou seja, enquanto aumenta sua lucratividade de forma exorbitante, na mesma proporção a vida de seus trabalhadores é colocada em risco.

É preciso dar um basta nisso!
Hoje a CSN é o local onde grande parte dos jovens do sul fluminense estão empregados. A defesa por segurança no trabalho não é um mero detalhe, é uma questão de sobrevivência desses jovens e também de seus pais e parentes. Uma das maiores usinas da América Latina não pode ser, de forma alguma, a empresa com maior periculosidade de trabalho. Muitos desses acidentes acontecem devido a questões como a falta de manutenção de equipamento, como afirmou a Procuradoria do Trabalho de Volta Redonda, ou por descumprimento de normas de segurança. Entre 2015 e 2016, vários pedidos de urgência para garantir a segurança dos trabalhadores foram indeferidos pela Justiça do Trabalho. Isso demonstra que a situação se arrasta por anos.

Mesmo a diretoria da CSN em 2018 tenha assinado um acordo judicial para prevenção de acidentes, situações como a de Daniel ainda são comuns no interior da usina.

Para alcançarmos o caminho de saída desse problema, a CLT precisa voltar a ser respeitada e, junto com ela, a segurança do trabalho, que no governo golpista de Temer, só apresentou retrocesso. A saída para essa situação existe de forma concreta e ela está colocada esse ano, com as eleições de outubro, onde ao elegermos Lula, queremos que as contra-reformas de Temer, sejam revogadas. Esse é o primeiro passo para que possamos mudar o tom com a direção da indústria, para que garanta a segurança dos metalúrgicos de Volta Redonda e região

Jeffei

Acidente na CSN reabre debate de segurança na usina
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