No último dia 12 de Abril, estudantes do Instituto de Economia da universidade de Campinas(UNICAMP), votaram em peso, em uma assembleia com mais de 80 estudantes, pela paralisação do curso por 24 horas. A paralisação veio em resposta ao crescente estado de exceção, representado na morte e na impunidade no caso da vereadora Marielle Franco e na prisão do ex-presidente Lula.

Entre as pautas da assembleia e que também fizeram parte do debate da paralisação, estavam a questão da permanência e o debate sobre o “Clube DCE”. A Unicamp, após adotar o sistema de ingresso por cotas teve um aumento significativo da demanda por bolsas de permanência. Em contrapartida, não houve aumento no valor do repasse para ampliação das bolsas, que acabaram não sendo suficientes para cobrir a demanda. A negociação com a reitoria vem sendo complicada e o DCE não vem mostrando energia em cobrar e organizar ações para exigir a ampliação do repasse. A assembleia adotou a posição de compor uma “Frente” por permanência, que é composta por alunos de vários institutos.

Além dessas reinvindicações, existe o imbróglio na construção de uma nova moradia estudantil, prometida após o fim da greve de 2016, que durou dois meses. Apesar de ter o projeto e o orçamento em mãos, a reitoria alega problemas jurídicos na compra do terreno e execução final da obra, que já está um ano atrasada.

O Clube DCE, é um clube de benefícios criado pela gestão 2017 do DCE da Unicamp para conseguir descontos em estabelecimentos da região próxima a Barão Geraldo (bairro onde se localiza o campus). O problema começou quando a proposta de criação do clube avançou, mesmo barrada no Conselho de centros academicos, onde a maioria dos centros acadêmicos se opuseram ao clube de benefícios. O problema, segundo as entidades e que veio a ser comprovado depois, era o recebimento de contrapartidas monetárias ao DCE estabelecidas em contratos firmados por tempo indefinido. O que coloca em xeque a questão da independência financeira do diretório central. Mais uma vez, a maioria da assembleia votou pela interrupção do Clube DCE, posição que será levada para o próximo conselho e assembleia geral.

A paralisação foi uma vitória dos estudantes, que no dia organizaram rodas de debate sobre conjuntura, justiça e sobre as eleições de 2018. A intervenção da Juventude Revolução na paralisação e participando nas rodas de conversa, foi uma experiência positiva e serviu para marcar com clareza posições como a defesa da constituinte e o apoio à candidatura de Lula. A paralisação foi uma luz em meio a inanição do conjunto das entidades e principalmente da atual gestão do DCE, que não coloca os estudantes em movimento contra os ataques a permanência e a democracia brasileira. Medidas no mesmo sentido devem ser propostas em assembleias em todas as universidades ao redor do Brasil, para que além dos comitês Lula Livre se organizem atos e paralisações.

Washington Alves, é militante da JR em Campinas – SP

Estudantes de Economia da UNICAMP fazem paralisação contra estado de exceção

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