No último final de semana, entre 9/08 e 11/08, aconteceu em São Paulo a posse da nova diretoria da União Nacional dos Estudantes – UNE, eleita no congresso da entidade em Julho deste ano. Esse congresso aprovou a “carta de Brasília” que convocou os estudantes a irem às ruas por educação, emprego e aposentadoria. Na resolução de conjuntura, afirmou que Lula é preso político e deve ser libertado imediatamente. Mas a primeira reunião da diretoria da UNE aprovou uma “carta de São Paulo” que não diz Lula Livre e diz que a UNE vai apresentar um projeto de educação que segundo o presidente Iago Montalvão vai concorrer com o Future-se no congresso nacional. Ou seja, uma resolução insuficiente após um congresso com mais de 5 mil delegados. 

A proposta da mesa diretora, dirigida pela UJS e composta também pelo Levante, Correnteza e Kizomba (PT) era um documento consensual de toda a diretoria plena. Nosso combate foi pra que esse documento apontasse que a luta contra a reforma da previdência e os cortes na educação continua, que não haja nenhuma adesão ao “future-se” e que se intensifique o combate por Lula Livre. 

Também combatemos a ideia da UNE disputar no Congresso Nacional um “projeto de educação” contra o future-se de Bolsonaro. Essa estratégia apenas legítima o projeto do governo e joga as nossas esperanças na mão de um congresso ultrareacionario que retira nossos direitos, a exemplo da PEC 06 da previdência aprovada em segundo turno. 

Apesar de todas as considerações e contribuições da JRdoPT, o texto final não incorporou a luta por Lula Livre, pois setores como Juntos (PSOL), PPL, PDT,  não aceitaram a pauta, mesmo sendo resolução congressual aprovada por milhares de estudantes a menos de 1 mês. A Juventude do PT poderia ter exigido de conjunto que a questão prevalecesse na carta, mas abriu mão dessa luta fundamental em nome do “consenso”. Um projeto de educação para disputar no congresso nacional desvia o foco da luta quando as instituições do Estado “tem um caráter recessivo e precisam ser reformadas” (resolução 57º conune). 

O voto da Juventude Revolução foi o único contrário a este resolução que não só é insuficiente em apontar para onde deve caminhar a luta dos estudantes, mas também fere as resoluções aprovadas no 57° Congresso da UNE.

Reiteramos que a luta por Lula Livre se dá no terreno da defesa da democracia, Lula é um preso político, perseguido pelos Instituições podres como o judiciário que insiste em mantê-lo preso, mesmo tendo tido na última semana a possibilidade de libertá-lo no episódio da transferência pra Tremembé mostrou mais uma vez que mantém sua natureza antidemocrática. A prisão de Lula representa o aprofundamento do Estado de Exceção e o avanço na retirada de direitos, o governo de Bolsonaro, fortemente apoiado por militares, mostra o total descompromisso deste com a democracia e os direitos. Não é possível apontarmos a defesa da previdência, da educação sem lutarmos pela democracia com Lula Livre. 

Danielle – Diretora de Assistência Estudantil da UNE

“NÃO ABRIMOS MÃO DE LULA LIVRE”

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